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Taques chama presídios de “home office do crime” e defende isolamento de líderes de facções

O ex-governador e ex-senador Pedro Taques (PSB) criticou o atual modelo de prisão de faccionados e defendeu o isolamento de lideranças dentro dos presídios, a fim de evitar o comando das facções enquanto cumprem suas penas. Taques afirmou que as unidades prisionais se tornaram uma forma de “home office” do crime e que modelos baseados nas prisões da Itália ou dos Estados Unidos poderiam ser implantados no Brasil.

Em entrevista ao AgoraPod deste domingo (13), o ex-governador e ex-procurador da República afirmou que o atual modelo de encarceramento não tem impedido que criminosos mantenham contato com integrantes das facções que estão em liberdade e continuem articulando crimes de dentro das unidades prisionais.

“Porque o que existe hoje, ele faz dos presídios um home office do crime. Ele tá lá dentro, pratica crime aqui fora. A maior parte dos crimes são praticados por faccionados que tão presos. Isso porque o sistema não tá funcionando, mas tá funcionando por crime”, afirmou Taques.

Taques tem histórico de atuação no combate ao crime organizado. Antes de ingressar na política, foi procurador da República em Mato Grosso e atuou em investigações que resultaram na desarticulação de esquemas envolvendo máquinas caça-níqueis e jogo do bicho no estado, que causou a prisão de João Arcanjo.

Durante o podcast, o ex-senador defendeu que a solução para o problema é o isolamento das lideranças criminosas dentro dos presídios, em celas separadas. Para explicar a proposta, ele utilizou como exemplos o modelo de isolamento italiano, conhecido como “cárcere duro” ou “Artigo 41-bis”, no qual o preso é colocado em uma cela individual, com restrições de visitas, e o modelo estadunidense Supermax, com prisões de isolamento máximo.

“Na Itália existe algo chamado cárcere duro […] nos Estados Unidos tem a Supermax […] Ele [o presidiário] fica isolado. O Supremo já disse que é constitucional e, se ele fica isolado, ele não entra em contato”, explicou.

Em Mato Grosso, já foram registradas diversas operações que removeram telefones celulares e chips de presídios em diferentes lugares do estado. Atualmente, a Operação Insídia investiga servidores públicos por facilitarem a entrada desses aparelhos em presídios.

Além do isolamento, Taques também criticou a forma como o regime de custódia é realizado. Conforme o candidato ao Senado, o prazo para solicitar progressão de regime deve ser ampliado, para evitar o “prende e solta” de criminosos. Além disso, ele também defende uma mudança nas audiências de custódia.

“Eu defendo o isolamento de faccionado, do líder faccionado e diminuição do tempo para que ele saia, ou seja, aumentar o prazo para progressão de regime. Para evitar o ‘prende e solta’. Esse prende e solta incentiva a prática de crimes”, afirmou ele.

Ele citou como exemplo também algo que já existe no Brasil, o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), e afirmou que o modelo não é inconstitucional.

Combate às drogas e prevenção

Em 2025, Mato Grosso apreendeu 59,6 toneladas de drogas, de acordo com dados do anuário da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). Para Taques, a quantidade ainda é baixa, considerando que o estado possui região de fronteira e também ao se comparar com outros estados, como Mato Grosso do Sul, o estado vizinho, que apreendeu 196,5 toneladas, ou Paraná, líder de apreensões em 2025, com 566 toneladas.

Taques explica que um maior investimento em policiamento deve ser realizado para atacar as facções no combate às drogas, que, conforme o candidato, são o “alimento das facções”.

“A maior parte dos crimes ocorre no mesmo espaço, no mesmo território, no mesmo lugar, nos mesmos horários, por isso que a inteligência policial precisa identificar para evitar o crime e nós não temos isso aqui”, afirmou.

Por último, apesar de defender penas mais rígidas e modelos diferentes de cumprimento, Taques afirmou que acredita na prevenção ao crime, principalmente com escolas integrais que tiram jovens das ruas. Conforme o Censo 2022 de Educação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso registrou 32.357 alunos de 15 a 17 anos fora das salas de aula, performando como o segundo pior índice no ranking nacional.

Taques explicou que esses jovens se tornam alvos para o aliciamento de facções.

“Eu defendo também que nós tenhamos uma política nas escolas, por isso a escola em tempo integral, para evitar que o jovem seja chamado para as facções criminosas. Mato Grosso tem 36.000 jovens de 15 a 17 anos fora da escola e fora do trabalho, totalmente pobres, negros, que essas pessoas são muitas vezes são aliciadas pelo tráfico”, afirmou.

Por Aline Costa

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