A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou um inquérito nesta quarta-feira (28) para apurar publicações feitas por uma procuradora do município de Macaé, no Norte Fluminense, que sugeriu o boicote a artistas, nordestinos e mineiros.
Em uma publicação nas redes sociais, a procuradora Renata Pimentel Ribeiro afirma que não fará políticas públicas para petistas e aconselha empresários a não contratarem nordestinos.
“Aconselho a todos os empresários, microempresários a não contratarem artistas, pobres nordestinos e mineiros. Aliás, mineiros saem de Macaé! Já basta o Espírito Santo que vocês invadem feito tralha”, diz a publicação.
Em outro trecho, a procuradora critica a população nordestina e afirma que ela “vai continuar passando fome”.
“Este povo vai continuar passando fome pegando água de bica vao se fo! Eu vou continuar linda maravilhosa fazendo as coisas que eu tenho e posso fazer”, diz Renata.
Em setembro deste ano, a procuradora já havia publicado, na rede social X, uma mensagem em que manifestava apoio à violência e assassinato contra pessoas que classificou como “nazistas de esquerda”.
“Não tenho palavras para descrever estes nazistas de esquerda! Se eu pudesse metralhava a todos sem distinção.!! Estamos em guerra mesmo! Morte aos esquerdas!”, escreveu.
A Prefeitura de Macaé repudiou veementemente as declarações ofensivas e discriminatórias atribuídas à servidora. Em nota, a administração afirmou que manifestações individuais não representam os valores do município, a conduta dos servidores ou o posicionamento institucional. Ainda segundo a prefeitura, o caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município e as providências administrativas cabíveis estão sendo adotadas e analisadas pelos órgãos competentes.
O prefeito de Macaé, Welberth Rezende (Cidadania), também publicou uma nota de repúdio. Ele condenou as declarações e os ataques discriminatórios relacionados à origem, à condição social, à orientação sexual e ao posicionamento político de pessoas ou grupos. O prefeito afirmou que atitudes dessa natureza são inaceitáveis e não serão toleradas e ressaltou que o respeito às diferenças, à dignidade humana e à diversidade de opiniões é um princípio inegociável da gestão.
Na tarde desta quarta-feira (28), representantes sindicais e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) registraram o caso na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).
A reportagem tenta localizar a procuradora para solicitar um posicionamento sobre o caso. O espaço segue aberto.




