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Março acumula 10 mortes por execução em Campo Grande

Execuções a tiros correspondem a maioria dos homicídios registrados no mês de março em Campo Grande

Não é impressão sua! Os crimes de homicídio com características de execução estão acontecendo com uma frequência maior neste março de 2024 em Campo Grande.

O mês já acumula 10 casos de assassinatos nessas circunstâncias, que indicam planejamento e a participação de mais de uma pessoa, num grau de organização que sugere uma escalada da violência.

Perseguições, seguidas de tiros à queima-roupa e fugas que deixam um rastro de sangue, compõem o enredo da maioria das mortes violentas ocorridas entre 1º e 21 de março.

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Carro em que corpo de vítima foi carbonizado, no dia 16 de março em Campo Grande. (Foto: Edmar Melo)

Em quase todos os casos, também, os suspeitos ainda seguem à solta, enquanto a polícia tenta completar o quebra-cabeça por trás dos crimes.

Diante dessas execuções, a Polícia Civil informou que estuda um “plano de ações” para investigar e apontar responsáveis por episódios, visando ao aumento da sensação de segurança na população.

Complexidade dos casos

Das 10 execuções registradas de 3 a 21 de março – período em que ocorreram os crimes – em apenas um caso o atirador foi encontrado e está atrás das grades, conforme divulgado pela polícia.

Saído da cadeia em novembro do ano passado, Eriton Amaral de Souza, o “Tonzinho”, quase escapou depois de assassinar Matheus Pompeu Dias, de 40 anos, o “Opala”, mas foi perseguido e preso por um policial militar à paisana, no Jardim Montevidéo. 

Mas há casos em que sequer a identidade da vítima está clara. No último dia 16, o corpo de um indivíduo, que teve as mãos cortadas, foi carbonizado no porta-malas de um veículo Gol, na rua Engenheiro Paulo Frontin, acesso à BR-262, na região do bairro Los Angeles.

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Luana Azevedo da Silva, de 39 anos, e Wanderson Mateus Vieira de Araújo, de 20 anos, primeiras vítimas de execução a tiros, no início de março. (Foto: redes sociais)

Essa é umas das quatro execuções ocorridas no terceiro mê do ano, cujas investigações estão a cargo da DHPP (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios e de Proteção à Pessoa). (Confira quais são no final da matéria).

Outras sete delegacias espalhadas por Campo Grande dividem o fardo das apurações desse tipo de crime.

O cenário encontrado no local do homicídio na região do Los Angeles dá uma dimensão da complexidade para esclarecer todas as circunstâncias do assassinato. O carro foi abandonado em chamas e sem placas, numa clara tentativa de apagar qualquer vestígio dos matadores.

São exatamente os homicídios com esse nível de dificuldade que são atribuídos à especializada, conforme explica o delegado Carlos Delano, titular da DHPP.

“Alguns destes casos envolvem o crime organizado, pistolagem. Então, são investigações muito complexas, que demoram meses para serem concluídas, prendem-se muitos suspeitos, ouvem-se muitas pessoas, quebram-se sigilos telefônicos, até que a gente a gente chegue a uma linha de investigação que demonstre ter verossimilhança para seguir adiante, buscando confirmações.”Carlos Delano, titular da DHPP

Diferente dos casos com diversas testemunhas ou quando há imagens de câmeras de segurança, por exemplo, que ajudam a traçar uma linha de investigação até os suspeitos, chegar à conclusão de apurações que partem do “escuro” exige um aparato muito maior, explica Delano.

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Delegado Carlos Delano titular da Delegacia de Homicídios de Campo Grande (Foto: PCMS)

“A investigação de um homicídio demanda uma organização administrativa específica, de recursos técnicos e humanos para ter eficiência e para reduzir impunidade. Este não é um crime comum, não dá pra você esperar que a estrutura normal faça frente a esse fenômeno social, criminal, de maneira adequada, porque não faz. É necessário ter um olhar específico”.Carlos Delano, titular da DHPP

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Eriton Amaral de Souza, preso em flagrante por assassinato ocorrido no dia 21 de março em Campo Grande. (Foto: reprodução de processo)

De relação com o tráfico de drogas ou organizações criminosas, a golpes e acertos de contas. A gama de homicídios investigados pela delegacia é vasta. O alto grau de dificuldade para resolução é um fator em comum entre os casos.

“Nenhum crime é igual ao outro. Não existe uma regra, o comportamento humano é vastíssimo, é imprevisível, a gente pode até tentar compreender e aplicar uma probabilidade, mas a investigação de um homicídio não tem um roteio pré-estabelecido”.Carlos Delano, titular da DHPP

Aumento em números

As execuções correspondem à esmagadora maioria dos homicídios dolosos, quando há intenção de matar, registrados desde o início deste mês, em Campo Grande.

São 13 homicídios no total, número 62% acima do registrado em todo o mês de março do ano passado.

Quando levado em conta os dados registrados desde janeiro, o número de pessoas assassinadas salta para 31 na capital sul-mato-grossense. No ano passado, no primeiro trimestre, foram 37 homicídios dolosos.

Neste mesmo período, em 2024, ocorreram ainda três feminicídios em Campo Grande. São crimes em que normalmente o agressor já é conhecido e a investigação acaba sendo rápida. Todos os autores estão presos

O que diz a diretoria da PCMS?

De acordo com o diretor do DPC (Departamento de Polícia da Capital), o delegado Wellington de Oliveira, a Polícia Civil estuda maneiras de tentar frear a escalada de violência na capital de Mato Grosso do Sul.


“Temos um grupo de analistas criminais que estão apurando e analisando esses dados para propor um plano de ações”.Delegado Wellington de Oliveira,

Para a autoridade policial, diversos fatores podem influenciar para o aumento no número de execuções na capital, neste início de ano. Daí a necessidade de uma investigação minuciosa para apurar as circunstâncias de cada caso.


“O aumento de execuções em Campo Grande pode estar associado a uma combinação de fatores, incluindo tráfico de drogas, disputa entre grupos rivais, acertos de contas e outras atividades criminosas. A análise detalhada de cada caso é essencial para compreender as motivações específicas por trás desses incidentes”.Wellington de Oliveira, diretor do DPC (Departamento de Polícia da Capital)

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Isolamento no endereço onde Sérgio Augusto Pereira, de 49 anos, foi morto a tiros no bairro Rita Vieira. (Foto: Adriano Fernandes)

Apesar dos desafios encontrados ao longo das investigações sobre execuções o delegado ressalta que o trabalho da Polícia Civil da capital tem tido um saldo positivo.

“O principal desafio para a Polícia Civil na solução desses casos é reunir evidências sólidas o suficiente para identificar os responsáveis e levá-los à justiça. São vários os vetores de motivação do crime e isso pode ser complicado devido à natureza violenta dos assassinatos, à falta de testemunhas dispostas a cooperar e à complexidade das redes criminosas envolvidas. Contudo a polícia civil tem demonstrado resultados positivos em nível nacional estando entre as que mais elucidam crimes dessa natureza”.Delegado Wellington de Oliveira

Execuções no mês de março em Campo Grande

  • 3/3 – Wanderson Mateus Vieira de Araújo, de 20 anos, e Luana Azevedo da Silva, de 39 anos, mortos a tiros no bairro Estrela do Sul. (DHPP investiga).
  • 11/3 – Mark Lee Alves, de 26 anos, morto a tiros no bairro Nova Lima. (DHPP investiga).
  • 16/3 – Vítima não identificada, carbonizada em carro no Jardim Los Angeles. (DHPP investiga).
  • 17/3 – João Matheus Pinheiro Duarte Gomes, de 20 anos, morto no bairro Caiçara.
  • 17/3 – Luiz Vitor Santos Amorim, 20 anos, morto a tiros entre os bairros Parque do Lageado e Dom Antônio.
  • 17/3 – Júlio César de Andrade Porto, de 22 anos, e Alex Sandro do Nascimento Campos, de 34, mortos a tiros no Jardim Centro-Oeste.
  • 19/3 – Sérgio Augusto Pereira, de 49 anos, morto a tiros no bairro Rita Vieira. (DHPP investiga).
  • 21/3 – Matheus Pompeu Dias, o “Opala”, de 40 anos, morto a tiros no Jardim Montevidéu. Eriton Amaral de Souza, o “Tonzinho”, foi preso pelo crime.

A reportagem questionou a Polícia Civil, via assessoria de imprensa, sobre outras prisões e atualizações dos casos citados acima e aguarda retorno. Também foi indagado em qual unidade estão as investigações que não correm na DHPP, ainda sem retorno.

Por Adriano Fernandes da primeira pagina

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