O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), concentrou nas mãos da Secretaria de Comunicação (Secom) uma engrenagem milionária que levanta questionamentos sobre transparência, critérios e, principalmente, os efeitos sobre a independência da imprensa local.
As denúncias foram feitas pelo vereador Dídimo Vovô (PSB) e divulgadas pelo site Caldeirão Político. A lista de veículos de comunicação foi obtida pelo vereador por meio da Lei de Acesso à Informação.
Após dois meses iniciais sem investimentos, a gestão passou a despejar, entre março e setembro de 2025, exatos R$ 6.717.482,29 em contratos com veículos de comunicação. Ao todo, 128 empresas entre TVs, rádios, sites, blogs e agências foram contempladas.
O resultado, segundo críticos, é visível: uma cobertura amplamente favorável ao prefeito, com raros questionamentos públicos, mesmo diante de episódios polêmicos. Atenção: a lista abaixo elenca todos os veículos de comunicação que recebem valores para divulgação de publicidade institucional. Não há, até o momento, nenhum inquérito instalado para apurar supostas irregularidades e ‘silêncio comprado’, como suspeita o vereador Dídimo Vovô.
Abaixo, a relação dos principais beneficiados, em ordem decrescente de valores:
Site G1 Mato Grosso e TV Centro América – R$ 568.009,59
TV Rondon SBT – R$ 339.311,41
TV Vila Real – R$ 291.080,71
TV Cidade Verde e Rádio Band FM – R$ 270.833,02
Agência Renca de Comunicação – R$ 241.945,87
TV Cuiabá – R$ 237.108,75
Site RepórterMT – R$ 220.685,27
Site RDNews – R$ 188.990,27
Site MídiaNews – R$ 188.006,06
Site Olhar Direto – R$ 170.285,27
Agência DMD – R$ 158.812,45
Site Folhamax – R$ 155.290,66
TV Record News – R$ 147.747,92
Jornal Estadão Mato Grosso – R$ 132.360,44
Site Esportes e Notícias – R$ 130.066,61
TV Mato Grosso – R$ 115.944,65
Rádio Capital FM – R$ 99.742,68
Paralelo 15 Imagens – R$ 98.226,00
Rádio Gazeta FM – R$ 98.129,77
Rádio Vila Real – R$ 97.782,27
Pantanal Filmes, Áudio e Imagens – R$ 95.855,00
Rádio CBN – R$ 92.699,19
Rádio Nazareno – R$ 82.570,34
Site Perrengue Mato Grosso – R$ 81.891,91
Jornal A Gazeta – R$ 79.987,04
TV Pantanal RedeTV – R$ 73.186,82
Site VG Notícias – R$ 69.044,34
Site Hipernotícias – R$ 65.829,39
Site Única News – R$ 65.789,82
Serata Ligraf Mídia – R$ 64.444,39
Site MT Press – R$ 61.964,53
Carandá Produções – R$ 60.954,53
Site Toninho de Souza – R$ 59.020,57
Site Gazeta Digital – R$ 58.026,04
Blog do Lúcio Sorge – R$ 52.690,37
Site MT News Online – R$ 52.471,20
Site RDM e Jornal do Ônibus – R$ 51.253,32
Site Veja Bem MT – R$ 50.822,02
TV Cidade Verde – R$ 50.143,75
Rádio Bom Jesus FM – R$ 48.603,82
Site Leia Agora – R$ 47.398,88
Site Cidadão Consumidor – R$ 45.235,24
TV Band Cuiabá – R$ 44.101,76
Portal Isso é Notícia – R$ 40.928,62
Pantanal Mídia e Eventos – R$ 39.566,40
Rádio Rodovia Várzea Grande – R$ 39.309,22
Site Cândido News – R$ 36.464,73
Site Cuiabá 360 – R$ 35.174,83
Site Folha Max – R$ 35.164,83
Site ACTPM Digital – R$ 27.501,33
Site Rufando Bombo News – R$ 25.689,14
Jornal Centro-Oeste Popular – R$ 25.390,81
Jornal O Impresso MT – R$ 24.791,21
Fiquei Sabendo MT – R$ 23.927,48
Site Olhar Direto – R$ 21.412,00
TV Mais – R$ 21.280,00
Site Popular MT – R$ 18.391,20
Site Página 12 – R$ 16.791,21
Site Notícia Max – R$ 16.399,98
Site MídiaJur – R$ 16.301,20
VT Print – R$ 16.283,00
Site WR News – R$ 16.071,91
Programa Caldeirão Messias Bruxo – R$ 16.005,44
Site O Livre – R$ 15.232,00
Site JB News – R$ 15.191,21
FEERPS Studio – R$ 14.474,00
Site Estação Livre – R$ 14.400,00
Blog do Valdemir – R$ 14.320,00
Site Minuto MT – R$ 12.721,76
Site Olho no MT – R$ 13.300,00
Site Kanal 1 – R$ 12.923,09
Rádio Massa FM – R$ 12.804,80
Site 24 Horas MT – R$ 12.764,83
Site MT Play – R$ 12.399,55
Site O Fato News – R$ 12.000,00
Rádio Nativa – R$ 11.158,78
Rádio Cultura – R$ 11.128,80
Site Bola News – R$ 10.338,46
Site O Matogrossense – R$ 10.241,41
Além desses, outros 39 veículos receberam valores inferiores a R$ 10 mil, sendo o menor pagamento de R$ 1.517,42.
Alguns nomes aparecem mais de uma vez, não por erro, mas por múltiplos empenhos no período.
O volume de recursos, a concentração dos repasses e a ausência de transparência detalhada sobre critérios de distribuição ampliam o debate sobre o uso da máquina pública de comunicação.
Enquanto isso, a Câmara Municipal mantém postura discreta, e a fiscalização sobre esses contratos segue praticamente inexistente.
O caso levanta uma questão inevitável: até que ponto a publicidade institucional está informando a população ou moldando a narrativa política na capital?
A redação se coloca à disposição da Secretaria de Comunicação (Secom) para manifestação e esclarecimentos.
Por Cícero Henrique




