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terça-feira, junho 23, 2026
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“Bióloga teve 120 metros para frear antes de atropelamento que matou estudantes”, diz perito

O julgamento da bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (23), com o depoimento do perito Henrique Praeiro de Carvalho, que afirmou que a acusada tinha condições de visualizar as vítimas e evitar o atropelamento que matou os estudantes Ramon Alcides Viveiros e Mylena de Lacerda Inocêncio, além de deixar Hya Girotto ferida, em Cuiabá.

Segundo o perito, a motorista possuía amplo campo de visão no trecho onde ocorreu o acidente e teria distância suficiente para perceber a presença das vítimas na pista.

“Havia condições de visualizar as pessoas para evitar o acidente, 120 metros”, declarou o perito durante o julgamento.

A primeira testemunha ouvida pelo júri também reforçou a tese da acusação. O técnico de som Mogar Meirelles relatou que presenciou o atropelamento e afirmou que não percebeu qualquer tentativa da condutora de frear ou desviar antes da colisão.

“Ela estava em alta velocidade. Não percebi nenhum movimento dela para tentar impedir o atropelamento”, afirmou.

Segundo a testemunha, ele estava em um estacionamento próximo à Avenida Isaac Póvoas e aguardou a passagem do veículo por considerar que ele trafegava acima da velocidade dos demais carros que circulavam pela via.

“Ela estava bem mais rápido do que outros carros que estavam na via. Por isso esperei ela passar para poder sair do estacionamento”, relatou.

Entenda o caso

O caso ocorreu na madrugada de 23 de dezembro de 2018, em frente à antiga boate Valley. Mylena morreu a caminho do hospital e Ramon não resistiu aos ferimentos horas depois. Hya Girotto sobreviveu, mas ficou com sequelas.

De acordo com os laudos que integram o processo, Rafaela estaria sob efeito de álcool e trafegava em alta velocidade no momento do atropelamento. A investigação também aponta que ela teria tentado deixar o local após a colisão.

Inicialmente, uma decisão de primeira instância atribuiu a responsabilidade às vítimas, mas a sentença foi anulada posteriormente. Em 2024, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso entendeu que havia indícios suficientes de dolo eventual e determinou que a bióloga fosse submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri.

Rafaela responde por dois homicídios dolosos consumados e uma tentativa de homicídio, todos na modalidade de dolo eventual, quando o acusado assume o risco de produzir o resultado.

Por Paula Valéria

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