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terça-feira, julho 21, 2026
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Vereadora diz que prefeito usa a máquina para influenciar eleição

A vereadora Katiuscia Manteli (Podemos) acusou o prefeito Abilio Brunini (PL) de ter oferecido ao vereador Ilde Taques (Podemos) o comando de uma secretaria municipal, no que seria uma tentativa de tirá-lo da disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá.

Segundo a parlamentar, a proposta teria sido apresentada durante uma reunião entre o prefeito e a bancada do Podemos e envolveria a Secretaria de Obras e a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb).

De acordo com Katiuscia, a oferta ocorreu depois que o Podemos consolidou uma bancada de seis vereadores no Legislativo.

A intenção do grupo, segundo ela, era discutir a ampliação do espaço político da legenda na administração municipal, mas o prefeito teria condicionado a indicação ao nome de Ilde.

“Nós fomos. sim. Falamos em um maior espaço, não falamos de secretaria e não falamos de nome. Mas, como a gente já havia marcado, eu acredito que ele já estava preparado e ele propôs que ele poderia dar uma secretaria. Ele sugeriu que fosse uma secretaria – Obras ou Limpurb – desde que fosse o vereador Ilde que assumisse”, relatou.

Na avaliação da vereadora, a proposta tinha um objetivo político claro: retirar Ilde da corrida pela Mesa Diretora e, consequentemente, favorecer a candidatura da atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL), que conta com o apoio de Abilio.

“O que a gente entende aí? Uma vez o vereador Ilde assumindo uma secretaria, ele não seria o candidato a presidente da Mesa. Então, foi o primeiro não aí que ele recebeu do Podemos”, afirmou.

Katiuscia Manteli disse que a reunião marcou o fim das conversas coletivas entre o Podemos e o prefeito.

A partir daquele momento, segundo ela, os vereadores da sigla passaram a adotar posições diferentes em relação à administração municipal, com parte da bancada permanecendo na base, enquanto outros parlamentares assumiram uma postura independente ou de oposição.

“Nunca mais houve uma conversa do Podemos com o prefeito Abilio, com o grupo do Podemos junto ao prefeito Abilio”, declarou.

Segundo a vereadora, Ilde foi, posteriormente, retirado do grupo de aliados do prefeito na rede social WhatsApp.

O distanciamento também teria atingido outros integrantes da legenda, em um processo que culminou na fragmentação da bancada dentro do Legislativo.

ABÍIO NEGA E DÁ VERSÃO – O prefeito Abilio Brunini negou que tenha oferecido uma secretaria a Ilde em troca da desistência da candidatura à presidência da Câmara.

O prefeito afirmou que a reunião ocorreu a pedido dos próprios vereadores do Podemos, que teriam procurado a Prefeitura para discutir uma possível parceria política e espaço na administração.

Segundo Abilio, seis vereadores participaram do encontro, e Ilde Taques teria sido o responsável por apresentar a demanda do partido.

“Eles pediram uma agenda na prefeitura comigo e vieram na prefeitura. Vieram com seis vereadores do Podemos. E, naquela ocasião, todos esses vereadores, através da palavra do Ilde, falaram: ‘O Podemos é um grande partido na Câmara. Nós queremos saber se nós podemos ter uma parceria com uma secretaria’”, afirmou.

O prefeito disse que rejeitou a ideia de estabelecer uma relação política baseada na distribuição de secretarias e sustentou que não trabalha dessa maneira.

“Aí eu expliquei: não, não é assim. Não é assim que as coisas funcionam. Não é desse jeito que eu trabalho”, declarou.

Abilio, porém, confirmou que chegou a convidar Ilde para integrar a gestão municipal, mas negou que o convite tenha sido uma estratégia para tirá-lo da disputa pela presidência da Câmara.

Segundo o prefeito, a possibilidade surgiu porque o próprio vereador estaria avaliando desistir da candidatura e até deixar o Legislativo, caso Paula Calil assumisse o comando da Casa novamente.

“O Ilde estava… numa época em que ele estava falando que ia largar a mão da candidatura dele, que ia apoiar a Paula e que ele não queria ficar na Câmara porque estava tendo um problema para ele se ficasse na Câmara. Falei: ‘Ilde, se você quiser vir para nossa gestão, um convite aí para você vir somar com a gente’”, relatou.

Abílio Brunini reforçou que, em sua versão, não houve uma negociação entre a entrega de uma secretaria e a retirada da candidatura.

Para ele o convite foi feito diante da possibilidade de Ilde deixar a Câmara por decisão própria.

“Mas não é dar uma secretaria para o Podemos nem nada, era reconhecer o trabalho dele e colocar ele para trabalhar junto conosco, tendo em vista que ele não queria estar na Câmara”, afirmou.

Abilio ainda atribuiu a decisão de permanecer no Legislativo ao próprio vereador e disse que não houve qualquer imposição para que ele abandonasse a disputa.

TENSÃO NA CÂMARA – A briga em torno da candidatura de Ilde tAQUES e do apoio de Abilio a Paula Calil ocorre em meio a uma crescente tensão entre o Executivo e o Legislativo cuiabanos.

O cenário também é marcado pelo enfraquecimento da base governista e pela formação de novos blocos de independência e oposição, dentro da Câmara.

A relação entre os dois poderes sofreu novo desgaste após a rejeição da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhada pela Prefeitura, evidenciando a dificuldade do prefeito em construir maioria para aprovar matérias de interesse da administração.

Apesar do embate político, Abilio negou ter qualquer problema pessoal com Ilde, e afirmou manter uma relação cordial com o vereador e com os demais parlamentares.

“Eu tenho um bom relacionamento com o vereador Ilde. Eu tenho um bom relacionamento com os demais vereadores. A Mesa separa os grupos, é óbvio, mas eu tenho um bom relacionamento com eles e nunca tive um problema pessoal”, completou o prefeito.

Por MARCOS LEMOS

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