Mauro Carvalho Júnior, ex-chefe da Casa Civil de Mato Grosso e suplente do senador Wellington Fagundes (PL-MT), é um dos empresários ligados à Brasbio Brasil Bioenergia S/A, usina de álcool à base de milho que tem entre seus sócios o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A informação consta em reportagem publicada nesta terça-feira (18.08) pelo Metrópoles, na coluna da jornalista Andreza Matais.
Segundo a publicação, documentos contábeis e registros de juntas comerciais mostram que empresas citadas nas investigações da Polícia Federal sobre o acordo de R$ 308 milhões firmado entre o governo de Mato Grosso e a Oi fizeram aportes na Brasbio.
A apuração do Metrópoles aponta que a H4 Holding e a GL Participações colocaram, juntas, R$ 37 milhões na empresa. A reportagem afirma ainda que outras empresas que foram alvo de quebra de sigilo ou possuem vínculos com fundos investigados também fizeram aportes na usina.
A investigação ocorre no âmbito da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 6. A apuração investiga o caminho percorrido por recursos pagos pelo governo de Mato Grosso à Oi após um acordo firmado em abril de 2024.
De acordo com a reportagem, a Brasbio pertence a Pivetta, Mauro Carvalho Júnior, Cornélio Sanders e outros investidores, embora Carvalho tenha deixado formalmente a sociedade. O próprio ex-chefe da Casa Civil afirmou que o investimento total feito até agora na empresa chega a quase R$ 2,5 bilhões.
Carvalho deixou o comando da Casa Civil no último dia 11, horas depois de ser procurado pelo Metrópoles para prestar esclarecimentos sobre o caso. Na nota em que anunciou a saída do governo, afirmou que não ocupava cargo público quando o acordo entre o Estado e a Oi foi celebrado.
Procurado para comentar os aportes e as relações empresariais apontadas pela reportagem, Carvalho não prestou esclarecimentos.
Além de ter comandado a Casa Civil, Mauro Carvalho é primeiro suplente do senador Wellington Fagundes (PL-MT), eleito em 2018.
Pivetta nega relação com dinheiro da Oi
Otaviano Pivetta negou que recursos provenientes do acordo entre o governo de Mato Grosso e a Oi tenham sido direcionados à Brasbio.
“Eu te garanto que a gente está muito longe disso”, afirmou o governador.
A assessoria de Pivetta também afirmou à publicação que a Brasbio nunca teve relação com o fundo 5M Capital, citado na investigação da Polícia Federal.
No entanto, que registros contábeis mostram movimentações envolvendo empresas relacionadas ao fundo e à Brasbio no período próximo à celebração e ao pagamento do acordo com a Oi.
O capital social da Brasbio, segundo a reportagem, passou de R$ 300 mil em 2023 para R$ 370 milhões em julho deste ano. A usina está instalada em Uruçuí, no sul do Piauí.




