A perda acelerada de peso, especialmente com o uso de canetas emagrecedoras, pode provocar flacidez acentuada e deixar o rosto com aparência envelhecida. Isso acontece porque, durante um emagrecimento muito rápido, a pele pode não ter tempo suficiente para produzir o colágeno necessário para acompanhar a redução de gordura. Em entrevista, a professora, palestrante e especialista em harmonização facial Nayara Cerutti explicou os impactos do emagrecimento na aparência e alertou que a velocidade da perda de peso, a idade e a capacidade de regeneração celular influenciam diretamente nos resultados.
Segundo a especialista, uma pessoa que perde entre 18 e 20 quilos em apenas seis meses pode apresentar alterações mais acentuadas na sustentação da pele, justamente pela dificuldade do organismo em acompanhar a transformação.
“A pessoa vai perder as mesmas estruturas; a diferença é que uma pessoa com metabolismo melhor, com umas células que se regeneram mais rápido, ela vai sofrer menos o impacto visual. Por quê? Vamos entender: se a pessoa passa por emagrecimento rápido, como eu falei, até 6 meses ela perde 18, 20 kg, a pele não tem tempo hábil de produzir o colágeno necessário, então a gente percebe uma flacidez mais acentuada”, explicou.
Nayara ressaltou que a faixa etária também desempenha um papel fundamental nesse processo. Pessoas mais jovens, que possuem maior capacidade biológica de produção de colágeno, tendem a apresentar impactos visuais menos perceptíveis do que aquelas que já estão em fases de mudanças hormonais, como a pré-menopausa.
“Uma pessoa mais jovem, ela tem ali uma fábrica de colágeno mais intensa, então esse processo, ele pode ser menos perceptível do que uma pessoa que já está ali no processo de pré-menopausa”, destacou.
O alerta ocorre em meio ao avanço da medicina e à popularização de medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e do sobrepeso, como a semaglutida e a tirzepatida. Embora essas alternativas tenham ampliado as possibilidades de emagrecimento, a especialista ressaltou que o uso exige cuidados e acompanhamento adequado, principalmente em relação ao ritmo da perda de peso e aos possíveis efeitos colaterais.
“Agora nós temos que ver que, graças aos peptídeos, que vêm através das canetas emagrecedoras, a semaglutida, tirzepatida, as pessoas têm a possibilidade de conquistar um emagrecimento com um medicamento já aprovado pela Anvisa que é eficaz”, afirmou.
Apesar dos benefícios apontados, Nayara ponderou que é necessário avaliar como o organismo responde ao tratamento, especialmente quando há uma redução expressiva de peso em um curto período.
“Agora é claro, como todo medicamento, ele tem os seus efeitos colaterais. Dentre eles, a gente tem que avaliar qual é a velocidade que essa pessoa está emagrecendo. É uma velocidade rápida, em até 6 meses ela perdeu muito peso, ou ela fez o emagrecimento a longo prazo?”, questionou.
Durante a entrevista, a especialista também abordou a realidade de Cuiabá, destacando a alta concentração de pessoas com obesidade na Capital mato-grossense. Segundo ela, a cidade “é considerada a segunda capital mais obesa do Brasil”, cenário que, em sua avaliação, está relacionado também às condições climáticas e aos hábitos da população.
Nayara acredita que o calor intenso característico da cidade pode contribuir para o sedentarismo, influenciando diretamente no estilo de vida dos moradores.
“Acredito que isso se dá em consideração por conta do nosso clima muito quente, né? Isso estimula um sedentarismo”, apontou.
Diante desse cenário, a especialista destacou a importância dos avanços médicos que oferecem novas alternativas para o combate à obesidade, mas reforçou, ao longo da entrevista, a necessidade de observar não apenas a quantidade de peso eliminada, como também a velocidade do processo e seus reflexos na estrutura e na aparência da pele.
Por ANA CRISTINA VIEIRA




