Débora Campopiano, mãe da deputada estadual eleita por São Paulo Eduarda Campopiano (PL), recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) há pelo menos oito anos. Aos 59 anos, a artesã recebe o auxílio destinado a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade. O caso foi divulgado neste sábado (10) pelo jornal O Globo, em reportagem de Pâmela Dias publicada na coluna de Lauro Jardim.
Segundo a publicação, Débora recebe o benefício desde pelo menos 2019 e também divulga e comercializa cursos de artesanato pela internet. Não há informações sobre os valores que ela teria obtido com essas atividades, nem confirmação de que os rendimentos sejam incompatíveis com as regras do programa.
O BPC corresponde a um salário mínimo mensal e atende pessoas com deficiência de qualquer idade e idosos a partir dos 65 anos que cumpram os requisitos legais. Como Débora tem 59 anos, o benefício recebido por ela está relacionado à modalidade destinada a pessoas com deficiência.
A artesã mantém um perfil no Instagram com mais de 28 mil seguidores, no qual anuncia oficinas e cursos para a produção de bonecas artesanais e de pano. Em uma publicação de 2025, ofereceu um workshop com pagamento parcelado em quatro vezes sem juros.
Eduarda também participou da divulgação das atividades. Em agosto de 2023, quando ainda era influenciadora, publicou um convite no perfil da mãe para um curso gratuito que posteriormente daria acesso a outros conteúdos pagos. Outra postagem, do mesmo ano, anunciava um curso por R$ 67 à vista ou em 12 parcelas de R$ 6,82.
Renda familiar é um dos critérios para receber o BPC
Um dos pontos não esclarecidos é se Eduarda mora com a mãe. Procurada pelo O Globo, a assessoria da parlamentar não respondeu à questão. A informação é relevante porque a renda dos integrantes considerados no grupo familiar pode influenciar a avaliação do benefício.
Pelas regras gerais, a renda mensal por pessoa da família deve ser igual ou inferior a um quarto do salário mínimo, equivalente a aproximadamente R$ 405. Também é exigida inscrição no Cadastro Único (CadÚnico), além do cumprimento dos demais critérios legais.
De acordo com informações da Câmara Municipal de Praia Grande citadas na reportagem, Eduarda já comentava na Jovem Pan pelo menos desde 2022. Em 2025, ao assumir o mandato de vereadora no município, passou a receber remuneração mensal superior a R$ 10 mil.
A assessoria não esclareceu se Débora obtém renda com os cursos ou se eventuais ganhos foram informados ao INSS. Até o momento, as informações divulgadas não comprovam irregularidade na concessão ou manutenção do auxílio. A análise depende das condições individuais, da atividade exercida e dos rendimentos efetivamente recebidos.
Eduarda foi eleita com votação expressiva
Aos 23 anos, Eduarda foi eleita deputada estadual pelo PL com 1.956.238 votos, nas eleições de 4 de outubro. Antes, havia conquistado uma cadeira na Câmara Municipal de Praia Grande, em 2024.
Ligada ao bolsonarismo, ganhou visibilidade nas redes sociais por discursos conservadores e críticas ao feminismo e a políticas públicas voltadas a minorias. Também se posiciona contra cotas raciais e critica a tipificação do feminicídio.
O caso envolvendo o benefício recebido pela mãe levanta questionamentos sobre a renda familiar e os ganhos com artesanato, mas ainda não há informações suficientes para concluir que as regras do BPC tenham sido descumpridas.
Por Guilherme Bernardo




