Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, será palco da Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 e reforça protagonismo de uma das regiões agrícolas mais importantes do país
O Médio-Norte de Mato Grosso volta a ocupar posição de destaque no agronegócio brasileiro. No próximo dia 17 de setembro, Ipiranga do Norte sediará a Abertura Nacional do Plantio da Soja – Safra 2026/27, reunindo produtores, empresários, pesquisadores, autoridades e representantes de diferentes segmentos da cadeia do agronegócio.
O evento será realizado na Fazenda Horizontina, propriedade da família Pozzobon que registra produtividade média superior a 65 sacas de soja por hectare e se tornou referência na utilização de tecnologia, agricultura de precisão e práticas voltadas à sustentabilidade da produção.
Mais do que colocar Ipiranga do Norte no centro das atenções, a escolha reforça a importância de todo o eixo agrícola do Médio-Norte mato-grossense, formado por municípios que estão entre os maiores produtores de grãos e polos agroindustriais do Brasil.
Uma região que ajuda a sustentar a produção brasileira
Ipiranga do Norte está inserida em uma região estratégica que reúne municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Tapurah e Itanhangá, entre outras cidades fortemente ligadas à produção de soja, milho e algodão.
O tamanho dessa força pode ser observado em Sorriso, considerado pelo IBGE o maior produtor nacional de soja e milho. Dados referentes à produção agrícola de 2024 apontaram aproximadamente 6,1 milhões de toneladas de grãos produzidas somente no município.
Além da produção, a estrutura instalada na região também chama a atenção. Segundo levantamento do IBGE referente ao segundo semestre de 2025, Sorriso possuía cerca de 5,9 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem, a maior entre os municípios brasileiros. Nova Mutum e Lucas do Rio Verde também estão entre os grandes polos de armazenamento do estado.
Esses números mostram que o Médio-Norte não representa apenas grandes extensões de lavouras. Ao longo das últimas décadas, a região passou a concentrar também armazenagem, agroindústrias, produção de biocombustíveis, proteína animal, logística e processamento de grãos.
Fazenda ultrapassa 65 sacas por hectare
Dentro desse cenário, a Fazenda Horizontina representa um dos exemplos da evolução tecnológica ocorrida no campo.
A propriedade foi adquirida em 2009, inicialmente com foco na ampliação da produção de algodão de segunda safra. Ao longo dos anos, passou por um processo de modernização e diversificação.
Atualmente, a média de produtividade da soja supera 65 sacas por hectare. Entre as tecnologias utilizadas estão agricultura de precisão, telemetria de máquinas, aplicação localizada de defensivos e monitoramento das lavouras por imagens NDVI.
As ferramentas permitem acompanhar diferenças no desenvolvimento das plantas dentro dos próprios talhões e direcionar o manejo para áreas específicas, reduzindo desperdícios e buscando maior eficiência na utilização de fertilizantes, defensivos, combustíveis e máquinas.
Agricultura regenerativa e economia circular
Outro destaque da Fazenda Horizontina está na tentativa de integrar produtividade e conservação dos recursos naturais.
A propriedade utiliza conceitos de agricultura regenerativa, com práticas voltadas à conservação e à melhoria das condições do solo.
O projeto também avança para um modelo de economia circular, no qual soja, milho e algodão podem ser integrados à produção animal e à agroindustrialização.
A proposta é fazer com que parte dos produtos e subprodutos permaneça dentro da própria cadeia produtiva. Resíduos da produção animal, por exemplo, podem retornar ao sistema na forma de fertilizantes ou ser utilizados na geração de energia.
É um modelo que reflete uma transformação cada vez mais presente no Médio-Norte: deixar de ser exclusivamente uma região produtora de matéria-prima para avançar na industrialização e na agregação de valor.
Lucas, Sorriso e Nova Mutum avançam na industrialização
Essa transformação pode ser observada em várias cidades da região.
Lucas do Rio Verde vem consolidando sua posição como polo agroindustrial e logístico e atraindo novos investimentos relacionados à transformação da produção agrícola. O município também mantém forte integração entre produção de grãos, proteína animal, indústria e biocombustíveis.
Somente na safra 2025/26, Lucas do Rio Verde cultivou aproximadamente 147 mil hectares de milho, com produção estimada em mais de 1 milhão de toneladas, segundo dados do Imea divulgados pelo município.
Sorriso segue trajetória semelhante. O município possui cerca de 600 mil hectares destinados à soja e ao algodão na primeira safra, com grande parte da área retornando à produção na segunda safra, especialmente com milho.
Nova Mutum, por sua vez, também consolidou uma forte base de produção de grãos e vem ampliando a presença de indústrias ligadas principalmente ao processamento de milho, produção de etanol e outros segmentos associados ao agronegócio.
Mato Grosso segue líder na soja
O protagonismo regional ocorre dentro do maior estado produtor de soja do país.
Para 2026, o IBGE estimou inicialmente que Mato Grosso poderia produzir aproximadamente 48,5 milhões de toneladas de soja, mantendo larga liderança nacional.
No Brasil, a estimativa divulgada pelo instituto em junho avançou para aproximadamente 174,6 milhões de toneladas de soja, estabelecendo novo recorde na série histórica.
Boa parte dessa produção atravessa ou é originada justamente no eixo central da BR-163 em Mato Grosso, onde estão concentrados alguns dos municípios agrícolas mais relevantes do país.
BR-163 fortalece corredor produtivo
A expansão do agronegócio também aumenta a importância da infraestrutura regional.
A BR-163 é o principal corredor rodoviário que conecta Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e municípios próximos às principais rotas de escoamento de Mato Grosso.
Nos últimos anos, a duplicação da rodovia avançou pela região. Entre os trechos já entregues estão aproximadamente 48 quilômetros entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde e outros 16 quilômetros entre Lucas e Sorriso, melhorando a conexão entre alguns dos principais polos produtores do estado.
Além das rodovias, a perspectiva de expansão ferroviária e novos investimentos privados tende a ampliar ainda mais a capacidade logística e industrial do corredor.
Ipiranga do Norte vira vitrine do agro brasileiro
É dentro desse cenário que Ipiranga do Norte receberá, em 17 de setembro, a abertura oficial do plantio da soja 2026/27.
A programação na Fazenda Horizontina marcará o início da 15ª temporada do Projeto Soja Brasil e terá como tema central “A verticalização da soja na produção de alimentos e energia”.
A discussão é especialmente relevante para o Médio-Norte de Mato Grosso. Depois de décadas ampliando produção e produtividade, o desafio atual passa por transformar uma parcela maior dos grãos dentro da própria região, criando indústrias, empregos, biocombustíveis, proteínas e novos negócios.
A realização de um evento nacional em Ipiranga do Norte, portanto, vai além de uma solenidade de início de safra. Ela evidencia uma realidade já construída no campo: o Médio-Norte de Mato Grosso se consolidou como uma das regiões agrícolas mais produtivas e tecnologicamente avançadas do Brasil e começa uma nova etapa marcada pela industrialização e agregação de valor àquilo que produz.




