Novos áudios vazados da conversa entre o deputado federal e candidato ao Senado por Mato Grosso, José Medeiros (PL), e o prefeito de Diamantino (MT), Francisco “Chico” Mendes (União), que é irmão do ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, voltaram a circular. Desta vez, Medeiros ‘zoa’ os seus eleitores bolsonaristas, afirmando que eles bebem detergente e oram por alienígenas.
“Você sabe que o meu eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Esse eleitor, Chico”, disse no áudio. As expressões utilizadas por Medeiros fazem referência a episódios grotescos que marcaram o mundo bolsonarista nos últimos anos no Brasil.
O “orar para alienígena” remete às cenas de novembro de 2022, quando manifestantes golpistas em Porto Alegre usaram celulares na cabeça para emitir sinais de luz ao céu pedindo “intervenção” extraterrestre. Já o “beber detergente” ironiza teorias conspiratórias amplamente divulgadas em grupos extremistas na internet, e ganhou força após a solicitação da Anvisa para recolher detergentes da marca Ype no início deste ano.
O deboche expôs uma profunda contradição no discurso do parlamentar. A fala integra uma sequência de áudios em que Medeiros assegura ao irmão de Gilmar Mendes que evita fazer críticas ao STF em suas peças oficiais de campanha. O candidato revelou inclusive ter orientado sua equipe de marketing a vetar qualquer menção à Suprema Corte, poupando nominalmente o magistrado mato-grossense. No diálogo, Medeiros afirmou que abre exceção apenas para o ministro Alexandre de Moraes, a quem se disse disposto a “esculhambar” a qualquer hora.
A revelação dos áudios gerou forte desgaste para o candidato. Medeiros construiu toda a sua projeção pública e plataforma eleitoral sobre o enfrentamento bélico ao STF, alardeando a defesa do impeachment de ministros do Supremo como carro-chefe de suas propostas.
O deputado para falar sobre o novo áudio, porém, não houve retorno. Já em relação ao áudio anterior, divulgado primeiramente pelo Portal Metrópoles, o deputado confirmou a autenticidade das gravações, mas tentou minimizar o impacto, alegando que o vazamento se trata de “coisa de campanha”.
No entanto, a divulgação do tom jocoso em relação aos seus apoiadores, somada à blindagem diplomática oferecida nos bastidores à família de Gilmar Mendes, abalou a credibilidade de sua candidatura junto ao eleitorado conservador.
Por Fred Moraes e Pablo Rodrigo




