O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (8) que o “tesouraço” nas contas públicas sugerido pelo adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vai pesar sobretudo para a parcela mais pobre da população.
O discurso é parte do ajuste recente na comunicação desde o revés de domingo, quando terminou o primeiro turno com 45% dos votos válidos, ante 47% de Flávio. Desde então, a campanha tem orientado Lula a simplificar o discurso e tentar abordar como um eventual governo Flávio poderá restringir programas como o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida e o Mais Médicos.
“Fiquem preocupados, porque quando se falar em corte, significa meter a mão no bolso do povo trabalhador”, afirmou Lula ao lado de aliados, em Brasília, no QG de campanha.
A informação sobre o “tesouraço” ganhou força nesta quinta na Faria Lima com a circulação de um projeto que propõe um corte de R$ 200 bilhões em despesas já na transição de governo. Um escopo do texto teria sido apresentado a investidores em uma reunião organizada pela consultoria Eurasia ainda em setembro, conforme o jornal Valor Econômico.
Em contrapartida, Lula disse que, ao receber o governo de Jair Bolsonaro (PL), encontrou um orçamento limitado e com pouca margem para executar programas sociais. Um de seus primeiros atos foi aprovar a PEC da Transição, com R$ 198 bilhões em gastos extras fora do então teto de gastos, que foi substituído pelo arcabouço fiscal ao longo da atual gestão.
“No Brasil, toda vez que um governo fala que vai fazer corte, teto de gastos, ajuste fiscal, ele não fala tentando fazer com que os ricos percam alguma coisa. Fazem para tirar do pobre”, criticou.
O presidente também reforçou a intenção de votar o primeiro turno da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 na próxima semana. A líder do governo, Teresa Leitão (PT-PE), disse que já está pronto o requerimento para se estabelecer um calendário especial que viabilize a outra votação ainda antes do segundo turno.
No rito atual, a primeira votação deve ocorrer na próxima quinta (15). A oposição tenta fazer cumprir o regimento normal, que adia o trâmite para depois das eleições.
Datafolha
Lula também minimizou o resultado da primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno das eleições, onde aparece com 48% das intenções de voto válido, contra 52% de Flávio.
Questionado sobre sua avaliação do resultado, Lula desconversou e disse que a desvantagem não afeta o ritmo da campanha.
“Eu não avalio pesquisa, não trabalho assim. Eu trabalho sabendo que preciso ter mais voto que o Flávio para ganhar as eleições. Eu tenho 17 dias para isso. E a minha obrigação é trabalhar para ganhar esses votos”.
Por Victor Schneider, Murilo Fagundes




