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Investigação aponta que empresário sacou milhões e entregou dinheiro em sacos plásticos a deputado Elizeu e vereador Cezinha

Relatórios referentes à investigação da Operação Emenda Oculta, deflagrada na quinta-feira (30) pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), para investigar um esquema de desvio de emendas parlamentares, identificaram que o empresário João Nery Chiroli, responsável pela empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., realizava sucessivos saques de dinheiro em espécie e transportava os valores em mochila ou sacos plásticos escuros. Ele foi alvo de busca e apreensão, assim como o vereador de Cuiabá, Cezinha Nascimento (União) e o irmão dele, o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo).

Também foram alvos o assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), João Batista de Almeida e Silva; o Instituto Social Mato-grossense (ISMAT) e sua presidente Samara Regina Lucas Barbosa; e o Instituto Brasil Central (IBRACE) e seu presidente Alex Jony Silva.

Consta no relatório da investigação que, no dia 5 de dezembro de 2025, João Chiroli recebeu mais de R$ 2,8 milhões em emendas parlamentares.

Já no dia 16 de dezembro, ele sacou R$ 250 mil, colocou o valor em uma mochila e posteriormente deixou em um veículo atribuído ao deputado Elizeu Nascimento, após contato prévio com o assessor João Batista.

No dia 23 do mesmo mês, o empresário retornou à agência e sacou R$ 350 mil, que foram colocados em sacos plásticos escuros e depois em um carro utilizado por ele.

No dia 21 de janeiro deste ano, ele sacou R$ 120 mil e levou o dinheiro ao Condomínio Florais Itália, onde teria entregue ao vereador Cezinha Nascimento.

As ações foram apontadas no relatório como “possível reiteração do padrão operacional”.

A Operação Emenda Oculta ainda investiga mais de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares que teriam sido destinadas pelo deputado Elizeu Nascimento ao Instituto Social Mato-grossense (ISMAT), que também realizou três saques, de R$ 350 mil, R$ 250 mil e R$ 120 mil, nas mesmas datas que Chiroli, totalizando R$ 720 mil, que, em tese, representariam valores devolvidos ao parlamentar.

Para dar continuidade às investigações, a desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, prorrogou por mais 90 dias o inquérito. A magistrada considerou o caso complexo, envolvendo diversas pessoas físicas e jurídicas, além de desvio de recursos públicos, circulação de dinheiro em espécie e necessidade de aprofundamento quanto a movimentações bancárias, dados fiscais, vínculos societários e eventual ocultação patrimonial.

O Naco pediu o afastamento funcional de Elizeu Nascimento, Cezinha Nascimento e João Batista por 120 dias, mas o pedido foi negado pela desembargadora.

Emenda Oculta

A Operação Emenda Oculta é um desdobramento da Operação Gorjeta, deflagrada em janeiro deste ano para investigar as mesmas práticas, e que teve como alvo o vereador Chico 2000 (Sem Partido), além dos servidores da Câmara Municipal de Cuiabá Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete de Chico 2000, e Joaci Conceição Silva, lotado no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV).

João Chiroli e sua esposa Magali Gauna Felismino Chiroli, além do Instituto Brasil Central (IBRACE) e seu presidente Alex Jony Silva, também foram alvos.

Na primeira fase foi revelado que o IBRACE funcionava como uma “entidade de passagem” para drenar dinheiro público. Segundo relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), somente em abril de 2025 o instituto recebeu R$ 1,35 milhão em emendas e, em poucos dias, repassou 95% do montante, cerca de R$ 1,29 milhão, para a empresa Sem Limite Esporte e Eventos, comandada por Chiroli.

Além disso, levantamento feito pela reportagem identificou repasses de quase R$ 3 milhões ao instituto entre 2024 e 2025, provenientes de emendas do vereador Chico 2000, para a realização de eventos como a 35ª e 36ª Corrida Senhor Bom Jesus de Cuiabá, a 5ª e 6ª Corrida do Legislativo e a 1ª Corrida de Rua Popular.

Em janeiro, o vereador Chico 2000 foi afastado e chegou a ser alvo de dois pedidos de cassação, que foram rejeitados pela Câmara. No início de abril, ele retornou ao cargo.

Por VANESSA MORENO

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