O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mira cargos de segundo e terceiro escalão da administração federal para retaliar o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), por causa da reprovação na sabatina do Senado ao nome de Jorge Messias, nome indicado pelo petista, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
Na avaliação de governistas, Alcolumbre teve papel crucial para que a indicação de Lula fosse reprovada, na semana passada, por 42 votos dos senadores.
A conclusão de que, segundo interlocutores do PT, o senador agiu como um “traidor” na sabatina de Messias fará com que o governo Lula retire o nome de indicados por Alcolumbre em empresas públicas como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
A limpa de indicados de Alcolumbre ou de seu partido — o União Brasil —, porém, não deve abranger nomes do primeiro escalão do governo Lula. Entre os ministros com aval do presidente do Senado ou do União Brasil, é possível citar os titulares das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes e do Turismo, Gustavo Feliciano.
Governabilidade
A alternativa por mirar cargos do segundo e terceiro escalão em vez de retaliar Alcolumbre por meio de demissões de ministros é explicada pelo fato de o presidente Lula ainda buscar a governabilidade.
Esse foi o objetivo, inclusive, que levou o titular da Defesa, José Múcio, a se encontrar com Davi Alcolumbre, na quarta-feira (6/5). Segundo pessoas próximas ao ministro, a reunião ocorreu para apaziguar a relação entre Lula e o presidente do Senado após a derrota de Jorge Messias e restabelecer um contato para as próximas votações.
Considerado um dos ministros mais próximos de Messias, Múcio esteve ao lado dele tanto na chegada para a sabatina com os senadores quanto após a conclusão da sessão que rejeitou a indicação de Lula à Suprema Corte.
Por Francisco Artur de Lima




