Cuiabá e Várzea Grande registraram dois feminicídios nesta primeira semana de maio. As vítimas, identificadas como Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, e Elzilene Alves do Nascimento, de 49, foram assassinadas pelos próprios maridos, que confessaram os crimes. Em ambos os casos, os feminicidas registraram falso desaparecimento das vítimas na tentativa de despistar a polícia e ocultaram os corpos.
Na segunda-feira (5), Nilza, empresária do ramo imobiliário, foi encontrada enterrada no quintal de uma casa no bairro Parque Cuiabá, na Capital. O assassino, Jackson Pinto da Silva, de 38 anos, amarrou o corpo e usou um “enforca-gato” para matá-la. Na tentativa de ocultar o crime, ele chegou a contratar uma máquina para cavar o buraco, alegando que o serviço seria para instalação de uma manilha e enterrou o corpo da vítima nessa cova.
Em Várzea Grande, Elzilene foi assassinada a facadas por Francisco Carlos Pereira da Silva, de 68 anos. O corpo dela foi encontrado em um córrego em área de mata no bairro Marajoara, na manhã de hoje (7). O assassino possui antecedente criminal por estupro.
Além dos dois casos, outra mulher, identificada como Valéria Araújo Corrêa, de 28 anos, estudante de direito, também foi encontrada morta nesta semana. O corpo dela foi localizado na noite dessa quarta-feira (6), em Tangará da Serra (253 km de Cuiabá). A vítima estava amarrada e foi esfaqueada dentro da quitinete onde morava. O autor do crime ainda não foi identificado, mas uma das linhas de investigação é possível feminicídio.
Levantamento do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), aponta que o Estado registrou 14 feminicídios somente neste ano. Como a última atualização foi feita na quarta (6) e o caso de Várzea Grande ocorreu nesta quinta (7), o número sobe para 15.
As vítimas assassinadas em Cuiabá e Várzea Grande nessa semana não tinham medida protetiva.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada e nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital: https://delegaciadigital.pjc.mt.gov.br/.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.
Por KARINE ARRUDA



