Em um vídeo publicado nas redes sociais, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs um racha na família e no Partido Liberal (PL) ao afirmar que foi humilhada e desrespeitada pelo enteado e pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro.
Segundo o colunista político e âncora do Tem Método, Carlos Andreazza, o desentendimento promete desestabilizar a campanha do parlamentar, que tenta se aproximar do eleitorado feminino.
No vídeo de quase 30 minutos, Michelle relatou um atrito decorrente de divergências partidárias no diretório do Ceará. De acordo com a ex-primeira-dama, o senador teria desqualificado sua atuação política em uma ligação telefônica.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. Eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, revelou a presidente nacional do PL Mulher.
Andreazza avalia que a crise tem enorme potencial destrutivo para Flávio Bolsonaro, que necessita de apoio entre o eleitorado feminino conservador e evangélico. O jornalista explicou que Michelle consolidou uma força real no país após organizar 27 diretórios estaduais da ala feminina.
Com isso, ela detém forte influência direta sobre um público que o pré-candidato do PL precisa conquistar.
O curto-circuito na pré-campanha e a “rede de Vorcaro”
O choque familiar eclodiu em um momento já delicado para Flávio, que enfrenta desgaste após o vazamento de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um filme sobre o pai dele, Jair Bolsonaro.
O colunista aponta que com o caso, o senador não pode nem se beneficiar politicamente das investigações contra Jaques Wagner, que era líder do governo no Senado até esta quarta-feira (24), com o Banco Master. Segundo o jornalista, a briga familiar neutralizou a possibilidade de explorar o desgaste do adversário político.
Para Andreazza, o racha escancara divergências no “bolsonarismo puro-sangue”. Como Michelle não carrega o sobrenome por laços de sangue, ela enfrenta resistência interna e apontou sofrer uma ação coordenada dos filhos do ex-presidente contra sua atuação.
Andreazza destacou que uma possível reconciliação formal não apagará o impacto das declarações, indicando que não haverá apoio real da ex-primeira-dama ao senador.
Após a repercussão, o senador Flávio Bolsonaro divulgou uma declaração afirmando estar de coração aberto para conversar e pediu desculpas públicas à madrasta. Ele justificou o ocorrido argumentando que a família atravessa um período tenso e de sofrimento pessoal.




