O deputado federal Fábio Garcia (União) disse esperar que a Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) adote uma postura técnica na condução das investigações que dizem respeito à contaminação de um lote de produtos de higiene doméstica da empresa Ypê, líder do mercado. Após a divulgação do risco à saúde, pessoas ligadas à extrema-direita passaram a divulgar rumores de que a advertência seria direcionamento político e boicote à empresa, que apoiou o bolsonarismo no passado.
“Eu espero que esteja fazendo um trabalho responsável e que nós não nos deparemos, lá na frente, com uma realidade absolutamente distinta. Porque, se assim o reparar, quem assinou esse laudo da Anvisa estaria cometendo um crime”, afirmou o deputado em conversa com a imprensa nesta segunda-feira (11).
“Eu espero, pelo bem do país e das instituições, que as instituições não misturem política eleitoral com a sua atribuição. E espero que a Anvisa esteja fazendo um trabalho correto”, acrescentou o parlamentar.
O tema veio à tona depois que internautas de direita passaram a associar a decisão da Anvisa, que é um órgão do governo federal, com o fato de a Ypê ter doado para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. Conforme a Folha de S. Paulo, três integrantes da família Beira, controladora da empresa, fizeram doações que totalizaram R$ 1 milhão.
Alegando perseguição, usuários têm postado vídeos bebendo o produto, enchendo o carrinho de garrafas de detergente, e dançando com o item enquanto estão vestidos com uma camiseta verde e amarela.
@lucianohangbr Atenção: as eleições estão chegando e a perseguição aumentou! Poucas pessoas sabem o que é sofrer perseguição como eu. Pessoas ideologicamente retardadas usam o poder público como ferramenta para atacar quem pensa diferente, quem empreende, gera empregos e produz para o Brasil. Agora, chegou a vez da Ypê. E nós, aqui na Havan, já enfrentamos centenas de situações parecidas. Os casos mais recentes foram o pedido para retirar a Estátua da Liberdade de São Luís e até tentativas de tirar a bandeira do Brasil das nossas sacolas. E por aí vai… Percebo que, com a aproximação das eleições, aumentaram os ataques e a perseguição contra empresas e pessoas que têm posicionamento diferente. Mas o povo brasileiro está atento e já percebeu isso há muito tempo. Não podemos aceitar que quem trabalha, investe, gera empregos e movimenta a economia seja tratado como inimigo e seja perseguido. E você, qual a sua opinião sobre isso? Me conte nos comentários! #LucianoHang #VéioDaHavan #Ypê
“Quem é neutro é detergente, aqui somos Ypê”, diz uma usuária.
O empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, também saiu em defesa da marca. Cantando um jingle improvisado, ele fala em perseguição e dança sorridente com um pote do produto.
“Atenção: as eleições estão chegando e a perseguição aumentou (…) Não podemos aceitar que quem trabalha, investe, gera empregos e movimenta a economia seja tratado como inimigo e seja perseguido”, escreveu na postagem.
Fundada há 27 anos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi criada em 26 de janeiro de 1999, por meio da Lei nº 9.782. Instituída como uma autarquia sob regime especial, a agência nasceu para aumentar a segurança sanitária no Brasil, substituindo a antiga Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde. Na época, o presidente era o Fernando Henrique Cardoso.
Sua necessidade foi reforçada após escândalos como o caso da pílula de farinha (1998), que abalaram a confiança na fiscalização de medicamentos. Na época, cerca de 600 mil comprimidos do anticoncepcional Microvlar, sem princípio ativo, foram vendidos.




