A gestão da secretaria-adjunta de Bem-Estar Animal, comanda pela médica veterinária Morgana Thereza Ens, deixou um animal vivo dentro de um freezer, sem tratamento, de acordo com uma denúncia revelada na audiência pública na Câmara de Cuiabá na última sexta-feira (08.05).
A denúncia sobre animal encontrado vivo em freezer foi feita pela ex-funcionária da limpeza do canil, Jucineia Ribeiro, que relatou ter trabalhado 6 meses no local e ter visto diversas situações de crueldade.
Cachorro vivo em freezer e “maquiagem em canil”
“Eu presenciei muita crueldade dentro daquele canil. Lá você era proibida de sentir dó, não era para você ter instinto de protetor. Eu sempre avisei a técnica, a veterinária, que o animal estava definhando, com febre, gemendo de dor e elas deixavam a desejar. O que uma simples moça de limpeza ia falar?”, afirmou.
Jucineia Ribeiro contou que tirava dinheiro do próprio bolso para comprar água de coco e cuidar dos animais.
“Morgana, eu estou aqui, olhando nos seus olhos, e quero que você me fale se tudo que eu estou falando é mentira ou é verdade. A técnica colocou o cachorro dentro do freezer. Fui eu que tirei o cachorro de dentro do freezer, o cachorro estava vivo, enrolado num saco de plástico. Eu abri o saco e coloquei ele no sol. Como a técnica e veterinária ainda estão no canil? Quero que me coloquem de frente com elas para ver se estou falando a verdade ou mentira? Tem muito mais que isso, eu tenho boletins de ocorrência, denúncias que são arquivadas?”, declarou Jucineia.
Ela relatou que pessoas avisam a secretária-adjunta sobre visita e fiscalização e que, depois disso, Morgana manda jogar fora medicamentos vencidos e determina uma “maquiagem” no canil da secretaria.
Eutanásia e doação de animais com leishmaniose
A diretora da ONG Aliança Com Quatro Patas, Sandra Barbosa, também fez uma série de denúncias sobre animais que morreram sem atendimento. Sandra mostrou animais que foram resgatados e que, ao serem acolhidos, ficaram em situação de saúde pior no canil da Prefeitura em comparação à situação como estavam nas ruas.
Castrações de cães e gatos
Kelly Rondon, diretora da ONG Tampatinhas Cuiabá, denunciou falhas no protocolo de socorro e de castrações dos cães. Segundo ela, é preciso fazer um cadastro, de difícil preenchimento, o que acaba impedindo que pessoas que não são protetoras façam o resgate de animais ou castrem seus animais.
“Esse protocolo da Unic é muito difícil, são três etapas para levar um gato feral para castrar. Quem conhece o gato feral sabe como é difícil, sobra castração e não estão levando para castrar”, declarou Kelly.
Responsabilização de protetores
Suzy Monteiro, presidente da associação Lunar, reclamou da obrigação, criada pela secretaria-adjunta, de que pessoas que socorrem animais devem “se responsabilizar” por eles para requerer atendimento na secretaria.
“Quando a gente fala que o Bem-Estar Animal é público, é do SUS, é diferente, porque toda pessoa que encontra um animal atropelado não pode ter acesso ao atendimento? Ele tem que provar que é baixa renda ou provar que é protetor. O cidadão não consegue atendimento se não se responsabilizar pelo animal, isso dificulta que a população faça o papel dela de acolher os animais”, afirmou Suzy.

Outro lado
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura, que encaminhou uma nota informando que as denúncias não são verdadeiras e declarando que não existe “prova formal” sobre o fato.
NOTA À IMPRENSA
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria-Adjunta de Bem-Estar Animal, esclarece que as denúncias apresentadas durante audiência pública realizada na Câmara Municipal não refletem a realidade atual do Canil Municipal e reforça que todas as alegações estão sendo tratadas com responsabilidade e transparência.
Sobre a acusação envolvendo suposto acondicionamento de animal vivo em freezer, a Secretaria informa que não existe qualquer prova formal que comprove o fato, tratando-se apenas de narrativa sem evidências apresentadas até o momento. A atual gestão mantém o compromisso com a apuração séria de qualquer denúncia, mas destaca que acusações graves precisam estar acompanhadas de comprovação.
A Secretaria ressalta ainda que o Canil Municipal passou por vistoria do Juizado Volante Ambiental (Juvam), em abril deste ano, sem constatação de irregularidades compatíveis com as denúncias divulgadas. O relatório apontou condições adequadas de limpeza, organização, fornecimento de alimentação, água e separação de animais doentes, além do acompanhamento veterinário realizado por clínicas parceiras. O espaço também foi fiscalizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT), dentro dos procedimentos regulares de acompanhamento técnico.
Em relação aos animais diagnosticados com leishmaniose, a Prefeitura esclarece que a política adotada prioriza a preservação da vida, respeitando protocolos veterinários, emissão de laudos, orientações técnicas e consentimento formal dos adotantes. A gestão entende que cães diagnosticados com a doença também merecem uma segunda chance, desde que os responsáveis pela adoção estejam plenamente informados e comprometidos com os cuidados necessários ao longo da vida do animal.
A Secretaria-Adjunta de Bem-Estar Animal reforça ainda que o Canil Municipal permanece de portas abertas para visitas, fiscalização e acompanhamento da população e de órgãos competentes. Desde a reestruturação da unidade, a atual gestão implementou melhorias estruturais, reforço da equipe técnica e novos protocolos de atendimento, garantindo mais controle, organização e rastreabilidade dos serviços prestados.
Do PNBONLINE




