A Justiça de Mato Grosso decretou, nessa segunda-feira (04), a prisão preventiva de Wanderson Cândido da Silva, acusado de estuprar e matar a enteada de apenas 3 anos em Primavera do Leste (243 km de Cuiabá). A decisão foi proferida pelo juiz plantonista Fernando Kendi Ishikawa durante audiência de custódia realizada por videoconferência.
O magistrado acatou o pedido da Polícia Judiciária Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), convertendo a prisão em flagrante em preventiva para garantir a ordem pública. O caso tramita sob sigilo por envolver menor de idade.
Wanderson foi detido no último domingo (03). De acordo com o delegado Honório Gonçalves Neto, o autuado possui passagens anteriores por tráfico de drogas e organização criminosa, tendo deixado o sistema prisional há cerca de dois meses.
Inicialmente, ele foi autuado pelo crime de estupro de vulnerável qualificado pela morte.
Entenda o caso
A Polícia Civil encontrou pingos de sangue na calcinha da menina de 3 anos que morreu na última sexta-feira (1º) após dar entrada na UPA do bairro Poncho Verde, em Primavera do Leste, em estado crítico. Após a constatação da morte, a equipe médica acionou a Central de Flagrantes por suspeita de crime sexual. O padrasto dela, de 24 anos, foi preso em flagrante.
No quarto do padrasto, a polícia também encontrou um sachê de lubrificante aberto, usado, jogado no chão.
A prisão ocorreu após ele apresentar versões contraditórias no interrogatório conduzido pelo delegado Honório Gonçalves, não conseguindo explicar a presença do sangue. Sobre o lubrificante, ele alegou ter usado com a esposa no dia anterior e que “não tinha nada a ver com a menina”.
No entanto, ao ser confrontado com as fotografias periciais que registravam vestígios de sangue nos lençois e na genitália da vítima, ele apresentou nervosismo e gagueira, declarando que “não viu sangue nenhum” e que a menina apenas “estava passando mal e vomitando”.
O depoimento também registrou divergências quanto ao horário em que a mãe da vítima saiu para o trabalho e o instante em que ele percebeu que a criança apresentava problemas de saúde. O padrasto alegou que a enteada teria caído da cama, mas a versão foi rebatida pelo delegado, que apresentou os laudos médicos da UPA indicando lesões internas incompatíveis com uma queda.
Após a apresentação das provas e da confirmação da autuação por estupro de vulnerável seguido de morte, ele optou por não fornecer mais declarações, seguindo orientação de sua defesa.
De acordo com o boletim de ocorrência, o médico responsável informou aos policiais que a criança chegou à unidade com pupilas dilatadas e em parada cardiorrespiratória. Durante os procedimentos, o profissional identificou indícios de abuso, relatando laceração no reto e sinais de violência na região genital.
Em depoimento à polícia, familiares relataram que a menina apresentava um quadro de saúde instável nos últimos dias. Segundo a tia da vítima, a criança havia recebido alta recentemente do Hospital das Clínicas, onde permaneceu internada por dois dias com suspeita de doença hepática, após o surgimento de manchas roxas pelo corpo, além de feridas na língua e nas mãos.
A familiar relatou ainda que, durante a internação anterior, a criança foi mantida apenas com soro intravenoso e que, ao receber alta, a mãe teria recebido apenas a prescrição de um xarope, com a recomendação de que a criança não fosse submetida a situações de estresse.
A rotina de cuidados da criança era dividida entre a mãe, uma cuidadora e o padrasto. No período entre 4h30 e 7h, a menina ficava sob responsabilidade do acusado. Em seguida, passava o período com uma cuidadora, sendo buscada novamente pelo padrasto às 11h, com quem permanecia até as 13h, antes de ficar sob os cuidados da genitora.
Por ANA JÁCOMO




