Com valor recorde de R$ 9,99 o litro, combustível no Norte do estado supera em mais de 60% a média nacional e acende alerta para inflação no campo e no frete.Para quem vive nos grandes centros urbanos, o preço dos combustíveis é uma preocupação constante, mas no interior profundo de Mato Grosso, a realidade ultrapassou qualquer projeção otimista. Em algumas localidades do Norte mato-grossense, o litro do Diesel S10 já é comercializado por R$ 9,99 (para pagamentos a prazo), um valor simbólico que flerta com os dois dígitos e expõe o peso logístico de viver a quase mil quilômetros da capital.O impacto é drástico: esse valor é 62,43% superior à média nacional de R$ 6,15 e deixa para trás até mesmo a média estadual de R$ 6,38. Para se ter uma ideia da disparidade, enquanto em Cuiabá o teto encontrado pelo sistema Nota MT (Sefaz) é de R$ 7,49, o consumidor do interior paga até 33,3% a mais pelo mesmo produto.
Em Nova Monte Verde, a 968 km de Cuiabá, o servidor público Amarildo Neves, de 51 anos, testemunha o salto nos preços. Segundo ele, o Diesel comum (S-500) já encosta nos R$ 9,89, enquanto o S10 cravou nos R$ 9,99. “O aumento veio rápido”, relata.Essa majoração não é apenas um problema individual. Para o setor produtivo, o diesel é o sangue que corre nas veias da economia regional. Cláudio Rigatti, secretário do Sindmat (Sindicato dos Transportadores de Cargas), confirma a escalada nos preços, ressaltando que, embora o abastecimento ainda esteja garantido, o custo operacional disparou.
Impacto no prato: Do campo ao consumidor final
A preocupação agora recai sobre o custo dos alimentos. Ilson Luiz Redivo, vice-presidente da Aprosoja-MT na região Norte, explica que o óleo diesel é um dos principais insumos da produção agrícola. Embora o pico de demanda tenha passado com o fim da colheita da soja, o plantio do milho e, principalmente, o transporte da safra dependem diretamente desse combustível.
O raciocínio é simples e cruel: diesel mais caro significa frete mais caro. E o frete elevado acaba sendo repassado para o preço final de cada produto que chega às prateleiras dos supermercados, desde o arroz até os itens de higiene.
Por que tão caro? Petróleo internacional e logística
De acordo com o Sindipetróleo-MT, o cenário atual é reflexo das tensões no Oriente Médio envolvendo os Estados Unidos, que desestabilizam a cotação internacional do barril de petróleo. Além disso, a distância geográfica das refinarias e a infraestrutura logística de Mato Grosso encarecem o repasse para os postos mais remotos.
Apesar de rumores sobre escassez, a Federação Nacional das Distribuidoras (BrasilCom) garante que o suprimento está normalizado em todo o país, incluindo Mato Grosso. O desafio, portanto, não é a falta do produto, mas o preço proibitivo que ele alcançou nas bombas do interior.