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Max, ex-Vasco, comemora gol em 2010 — Foto: Buda Mendes/Latin Content via Getty Images
O caso foi motivo de protesto de sócios no clube. Na ocasião, Belaciano respondeu que “não participara da elaboração, negociação e/ou aceitação do acordo junto a nenhum credor”.
A reportagem procurou Belaciano para tratar do assunto. Ele acusa movimentação política a partir do racha do grupo que elegeu Pedrinho – recentemente, houve saída de dirigentes. Lembrou ainda que o Vasco e os escritórios que o representavam atestavam o valor de cerca de R$ 7 milhões no processo – com correções, este valor chegaria a pouco mais de R$ 8 milhões – e que a mudança no entendimento do caso se deu depois da dissidência interna com intenção de enfraquecer o presidente Pedrinho.
Belaciano reiterou que deixou de trabalhar para Max em 2017, quando o grupo político Sempre Vasco, ao qual pertence, venceu as eleições – Julio Brant era o candidato, mas foi derrotado na eleição dentro do Conselho por Alexandre Campello.
À Polícia, o ex-lateral do Vasco disse que seus advogados atuais são Sergio Aguiar e Moisés Gleicher, que o informaram dos cerca de R$ 8 milhões a receber da ação de 2016, mas que, atendendo aos limites do processo de RJ, teria R$ 5 milhões a receber.
Ele também contou que Belaciano participou de audiências em 2017 e 2019 por sua solicitação, devido à relação antiga com o advogado. O ge procurou Max e Moisés Gleicher, mas não conseguiu contato com os dois para tratar do tema.
Administradora e ex-dirigentes divergem
O inquérito já ouviu algumas pessoas do Vasco. Um dos primeiros foi o ex-jogador Max. Belaciano foi intimado duas vezes e não compareceu. Ele será chamado mais uma vez. Moisés Gleiser também foi convocado, mas ainda não foi à DP. O presidente do Vasco, Pedrinho, será chamado.
Nas últimas semanas, depuseram Carlos Amodeo, ex-CEO do Vasco, Bianca Reis, ex-diretora jurídica do Vasco, Adriana Zamponi, representante da Wald Administração de Falências (empresa designada como administradora judicial do processo do Vasco) e Gabriel Souza, funcionário da Alvarez & Marsal e atualmente diretor financeiro do Vasco.
A Polícia prevê encerrar o inquérito em um mês e ainda quer ouvir o presidente do Vasco, Pedrinho.
Tanto Carlos Amodeo quanto Bianca Reis informaram à Polícia que foram alertados de “possível irregularidade” no fechamento do balanço de 2025. Afirmaram ainda que que o crédito de R$ 8 milhões foi adicionada pelo próprio credor (Max) nos autos da recuperação judicial.
Os ex-dirigentes do Vasco também disseram que Alan Belaciano se colocou à disposição da SAF para atuar como interlocutor junto aos advogados trabalhistas durante a fase de mediação. Mas a atuação se deu de maneira informal.
O depoimento da representante da administradora judicial diverge de Carlos Amodeo e Bianca Reis. Segundo Adriana Zamponi, o Vasco e a SAF vascaína reconheciam como incontroversos valores aproximados de R$ 7,9 milhões, mas com divergências de verbas previdenciárias e imposto de renda – depois, com novos cálculos, a administradora chegou ao valor aproximado de R$ 8 milhões.
A representante de administração judicial se disse surpresa com a “alteração de posicionamento” do clube e da SAF pelo crédito anteriormente reconhecido.
Conselho Fiscal cobrou apuração
O balanço financeiro do Vasco de 2025 teve manifestação de integrantes do Conselho Fiscal da SAF com cobrança para apuração do caso que hoje está na Delegacia de Defraudações. O caso esteve em pauta em reunião do Conselho Fiscal em 18 de fevereiro de 2025.
— Foi apontada a participação do presidente da AGE do CRVG (Alan Belaciano) como negociador do Vasco na classe 1 de credores, situação que contrasta com seu histórico como advogado trabalhista em ações anteriores contra o CRVG, cujos autores são credores exatamente da Classe 1. O Conselho Fiscal apontou um possível conflito de interesses que deveria ter sido apurado da forma adequada pelos órgãos de governança do CRVG — diz trecho do parecer.
No texto, o Conselho Fiscal cobra esclarecimentos de sete casos recentes que o Vasco e a SAF tentam impugnar no processo de Recuperação Judicial. O Vasco deseja cancelar cobranças consideradas indevidas e que somam R$ 10,8 milhões no total de sete casos – um deles, de Max.
Por Gabriela Moreira e Raphael Zarko




