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Pai de estudante que estaria envolvido em criação de lista de “estupráveis” é acusado de ameaçar aluno da UFMT

O pai de um aluno do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso, que estaria envolvido no escândalo da lista de estudantes “estupráveis” da instituição, ameaçou discente do campus ao afirmar que “se o filho dele não se formasse, os demais também não se formariam”. O episódio foi registrado nessa quarta-feira (13) e resultou no registro de boletim de ocorrência.

A informação de que um estudante de engenharia civil também esteja envolvido no crime é nova, visto que até então o principal suspeito era apenas um estudante de Direito. Conforme nota da UFMT, as câmeras de segurança flagraram o momento em que o homem se aproximou do aluno e proferiu as ameaças. O estudante, junto de outros discentes, relatou o ocorrido aos representantes da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (FAET). As imagens estão sob custódia da universidade e ainda não foram disponibilizadas à reportagem.

Por sua vez, a coordenação da FAET acionou a Reitoria, que orientou, no mesmo sentido da direção da unidade, para que os alunos realizassem o registro formal da ocorrência junto às autoridades competentes.

Os estudantes, acompanhados por um advogado que é parente de um dos alunos abordados, registraram boletim de ocorrência e formalizaram representação criminal junto à Polícia Civil.

A universidade também instaurou Comissão de Inquérito Disciplinar Discente na FAET e na Faculdade de Direito para apuração dos fatos relacionados ao caso. Todas as partes envolvidas serão ouvidas, com garantia do contraditório e da ampla defesa.

Diante do ocorrido, a UFMT solicitou reforço na segurança junto à Polícia Militar e ao serviço de segurança interna da instituição.

Lista de “estupráveis”

A denúncia de que um calouro do curso de Direito teria criado uma lista com o nome de alunas “estupráveis” da universidade foi apresentada no dia 4 de maio à Faculdade de Direito, por meio de registros de conversas privadas via WhatsApp.

Assim que tomou conhecimento da gravidade do conteúdo, a faculdade instaurou procedimento administrativo para apurar a veracidade dos fatos e a responsabilidade disciplinar do envolvido. O processo será conduzido sob sigilo, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). No dia 6 de maio, o aluno foi suspenso.

O caso é investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso e a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher abriu inquérito para apurar o caso. A delegada Liliane Diogo informou que os depoimentos terão início para investigar a conduta dos envolvidos e averiguar se há outras pessoas relacionadas ao caso. Inicialmente, os acusados poderão responder por incitação ao crime, mas a quantidade de delitos pode ser ampliada conforme o andamento das investigações.

Por LUÍZA VIEIRA, THIAGO NOVAES

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