O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), em campanha pelo país, desembarcou em Natal na segunda-feira (21) e durante comício na zona leste da cidade evitou comentar o contrato de R$ 427 milhões relacionado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e à chamada “Turma do KN”, grupo citado em documentos da Polícia Federal e associado ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Questionado sobre o caso durante um comício em Natal (RN), nesta segunda-feira (21), Flávio afirmou que não tinha conhecimento do assunto.
“Eu não sei se a história é essa. Eu não tenho condições de falar do que eu não sei o que é. Eu não sei do assunto”, declarou o candidato.
O contrato aparece em documentos encaminhados pela Polícia Federal ao STF. Segundo as informações divulgadas, o Banco Master teria firmado um acordo de honorários de até R$ 427 milhões com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, ligado à advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O pagamento estaria condicionado ao êxito em processos que poderiam liberar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse do banco.
Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro fazem referência à expressão “Turma do KN”. Segundo as reportagens que revelaram o conteúdo, as iniciais seriam uma referência a Kassio Nunes Marques. O ministro, porém, nega ter atuado em favor de Vorcaro ou do Banco Master e afirma que não autorizou terceiros a agir em seu nome.
Nunes Marques foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2020. Na ocasião, Flávio Bolsonaro votou favoravelmente à indicação e participou da articulação política para a aprovação do magistrado.
Críticas a Alexandre de Moraes
Apesar de evitar comentar o caso envolvendo Nunes Marques, Flávio tem intensificado as críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Nos últimos dias, o candidato compartilhou nas redes sociais imagens de Moraes e de sua esposa, Viviane Barci, deixando um jatinho pertencente a uma empresa ligada a Vorcaro. Flávio acusou o ministro de “aparelhar o Estado”. Moraes nega irregularidades relacionadas ao empresário.
Durante o comício em Natal, o senador voltou a explorar o caso Master em ataques ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao STF.
Segurança pública
No discurso, Flávio também criticou Lula na área de segurança pública e afirmou que o governo federal teria falhado no combate às organizações criminosas.
“O Brasil falhou com as facções porque tem um presidente da República que acha que não é problema nacional. Os fuzis entram pelas nossas fronteiras, as drogas entram pelas fronteiras do Brasil, e é competência do governo federal combater o tráfico de drogas e de armas”, afirmou.
O candidato disse ainda que, caso seja eleito, pretende classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e milícias como organizações “narco-terroristas”. Também defendeu o aumento de penas para furtos de celulares e a castração química de condenados por estupro.
Relação com China e Estados Unidos
Na área internacional, Flávio afirmou que pretende manter uma relação “pragmática” com a China e disse que o Brasil deve negociar com diferentes países para atrair investimentos.
“A gente não tem que escolher um lado. A gente tem que estar ao lado de todas as nações que sejam desenvolvimentistas, que queiram investir no nosso Brasil.”
Além da China, o candidato citou Estados Unidos, Israel, países do Oriente Médio, Argentina e Paraguai como potenciais parceiros.
Ao final do discurso, Flávio afirmou esperar uma retomada dos investimentos estrangeiros com uma eventual mudança de governo e declarou que o cenário ocorreria após a troca de presidente, fazendo referência ao primeiro turno das eleições.




