A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), Adenir Carruesco, usou as redes sociais para denunciar um episódio de racismo vivido em um supermercado no domingo (17). Em vídeo, a magistrada fez reflexões sobre as raízes do racismo e a subalternização velada do corpo preto, que, de forma subconsciente, ainda está internalizada em grande parte da sociedade brasileira.
No início do vídeo ela relata que havia feito uma caminhada e decidiu passar em um supermercado. No local, uma idosa insistia em perguntar onde ficavam determinados produtos, acreditando que a desembargadora trabalhava no estabelecimento.
“Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la. Mas essa senhora não cometeu nenhum ato racista. Ela agiu pela lógica, pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou como natural do preto é o serviço”, pontuou a desembargadora.
A partir do episódio, a magistrada passou a refletir sobre como a sociedade ainda reproduz práticas racistas no cotidiano.
“A lógica diz: preto não ocupa espaços de poder. Preto não é juiz, não é desembargador. Os pretos não estão nos tribunais superiores, basta ver e a mulher negra menos ainda. Eu, desembargadora sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a população brasileira insiste em enxergar como serviçal”, acrescentou, em crítica direta à falta de representatividade.
Ela concluiu afirmando que essa “lógica” de enxergar pessoas negras sempre em posição de servidão precisa ser desconstruída, o que, segundo ela, passa pela ampliação da presença negra em espaços de poder.
“O problema não é aquela mulher no supermercado. É a lógica que ela sem saber reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada. Um domingo de cada vez”, finalizou.
Veja vídeo:



