Duas pacientes da fisioterapeuta presa suspeita de mutilar pacientes em Goiânia disseram que Magda Oliveira da Silva realizou procedimentos “muito gripada” e em um quarto improvisado, pois sua clínica estava em reforma. De acordo com a Polícia Civil, há casos de lesões graves, gravíssimas e até mutilação entre as denúncias sobre procedimentos estéticos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária.
Em nota enviada nesta terça-feira (22), a assessoria de Magda Oliveira disse que não fará nenhum comentário em relação ao caso, reiterou total confiança na Justiça e disse ter a convicção de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo da instrução processual.
Em nota, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região disse que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia recebida, e da prisão preventiva de uma profissional fisioterapeuta por meio da imprensa, a partir de informações divulgadas pela Polícia Civil. Disse ainda que instaurou processo administrativo/ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos (leia a nota completa ao fim do texto).
Em entrevista à TV Anhanguera, uma das pacientes que disse ter ter sofrido amputação em partes da região genital relatou relatou que se assustou quando Magda começou a fazer o procedimento cirúrgico sem luva estéril e utilizando a máscara de forma inadequada.
“Ela estava muito gripada, então ela dava uma limpada no nariz com parte do braço e voltava para o procedimento. Só que eu já estava encurralada, né? ‘Já foi, já cortou, já estava sangrando, agora tenho que esperar o final disso aqui”, disse ela.
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Fisioterapeuta é presa suspeita de causar lesões graves em pacientes de Goiânia — Foto: Reprodução/TV Anhanguera e Divulgação/Polícia Civil
Sobre o quarto improvisado, uma paciente disse que encontrou o perfil de Magda nas redes sociais, mas que não sabia onde a profissional atendia. “O endereço que ela me passou é uma casa. Eu fiquei 4 horas dentro de uma casa, em um quarto. Ela disse que a clínica que ela estava trabalhando estava em reforma”, contou.
O delegado Alex Rodrigues, responsável pelo caso, disse que um vídeo mostra Magda usando um guardanapo para limpar cortes durante uma cirurgia plástica na região íntima (ninfoplastia), conduta que aumenta o risco de contaminação e infecção, segundo especialista.
Outras pacientes ainda relatam:
- Perda de sensibilidade no clitóris;
- Sangramento, queimaduras, dor intensa, inchaço, inflamação, cicatrizes e ferimento aberto;
- Febre, tontura e intenso mal-estar;
- Exposição da uretra;
- Dificuldade para manter relações sexuais;
- Dificuldade para mastigar e abrir a boca;
- Dificuldade para urinar;
- Alteração parcial da visão;
- Alteração da coloração da pele.
Uma delas relata que não teve suporte após as complicações e que a fisioterapeuta continuava divulgando seu trabalho normalmente nas redes sociais. “Ela continuava sorrindo no perfil dela, colocando palavras de Deus, dizendo que nós queríamos derrubá-la, mas que ela era mais forte”, disse.
Prisão e denúncias
No início, sete pacientes haviam denunciado a fisioterapeuta à polícia e, desde a divulgação do caso, mais duas mulheres procuraram as autoridades. As vítimas relatam complicações após a realização de procedimentos estéticos nas regiões íntima, facial, glútea e mamária.
“Algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico” , disse o delegado.
Fisioterapeuta é presa preventivamente e sete vítimas são identificadas em investigação em Goiás — Foto: Reprodução/Instagram de Magda Oliveira
Apesar de também possuir formação complementar na área de harmonização facial, corporal e íntima, a investigação aponta que em determinados procedimentos ela teria ultrapassado os limites da atuação. De acordo com o delegado Alex Rodrigues, ela não poderia atuar prestando os serviços que realizou nas vítimas.
“A investigação aponta que, em determinados procedimentos, teriam sido realizados cortes, retirada de partes de tecidos e alterações da anatomia das pacientes, além da prescrição ou fornecimento de medicamentos, circunstâncias que teriam extrapolado os limites técnicos e legais da atuação profissional”, afirmou a Polícia Civil.
Magda foi presa nesta segunda-feira (22). À polícia, ela disse que cursa medicina na modalidade EAD em uma universidade na Bolívia, para onde ela vai duas vezes por ano. Além da prisão, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa da investigada e em duas salas comerciais onde ela atendia as pacientes.
Primeira nota enviada pela defesa da fisioterapeuta
A Sílvio Maia Assessoria, no exercício do acompanhamento institucional da defesa da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos quanto às recentes divulgações veiculadas pela imprensa:
Presunção de Inocência e Devido Processo Legal: A Sra. Magda Oliveira da Silva reafirma seu compromisso com a verdade e o rigor ético que sempre pautaram sua atuação profissional na área de fisioterapia e estética. Ressalta-se que qualquer apuração deve observar rigorosamente as garantias constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência.
Cooperação com as Autoridades: A profissional e sua equipe jurídica estão integralmente à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para fornecer todas as informações, laudos técnicos e documentações necessárias. Confiamos que o trâmite das investigações demonstrará a regularidade de sua conduta e o devido cumprimento dos protocolos técnicos aplicáveis aos seus atendimentos.
Esclarecimento dos Fatos: Pedimos cautela na divulgação de ilações prematuras e reforçamos que os fatos serão devidamente fundamentados nos autos do processo técnico e pericial competente.
A profissional e a sua defesa reiteram a plena confiança na Justiça e reafirmam que a sua inocência será devidamente comprovada no decorrer dos trâmites legais.
Nota do Conselho
O Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 19ª Região – CREFITO 19, Autarquia Pública Federal criada para defender os interesses públicos e proteger a sociedade por meio da fiscalização do exercício profissional de Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, no uso de suas atribuições legais e representado por seu Presidente, vem, respeitosamente, por meio desta, esclarecer que tomou conhecimento dos fatos por meio de denúncia recebida, e da prisão preventiva de uma profissional Fisioterapeuta por meio da imprensa, a partir de informações divulgadas pela Polícia Civil do Estado de Goiás sobre supostos danos causados a pacientes em procedimentos estéticos. O CREFITO-19 instaurou processo administrativo/ético-disciplinar próprio para apuração dos fatos. Caso confirmados, os fatos expostos configurarão grave desvio da prática profissional e serão tratados com o rigor cabível, no âmbito do referido processo administrativo. O CREFITO-19 se coloca à disposição das autoridades policiais e do Ministério Público para colaborar com a investigação em curso e reitera seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes e com a fiscalização ética do exercício profissional na região.
Por Letícia Fiuza




