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Atirador que matou investigador por divergência política é preso em fazenda em MT

O autor do assassinato a tiros o investigador da Polícia Civil Edmilson Ormond Souza, conhecido como “Chibiu”, foi preso nessa segunda-feira (26), em uma fazenda na zona rural de Brasnorte, a cerca de 170 quilômetros de Campo Novo do Parecis (a 402 km de Cuiabá), onde ocorreu o crime. A principal suspeita é de que o assassinato tenha sido motivado por divergências políticas relacionadas ao segundo turno das eleições presidenciais.

A prisão foi confirmada pelo delegado Guilherme Kaiper. Segundo ele, as equipes trabalharam de forma ininterrupta para localizar o assassino, que estava na propriedade de um familiar.

O homem chegou à fazenda dirigindo sua caminhonete e, ao perceber a presença dos policiais, desceu do veículo e se entregou. Segundo o delegado, houve uma possível resistência apenas no momento em que os agentes tentaram algemá-lo.

“Ele se entregou de forma espontânea. Nós nos dirigimos à fazenda. Ele chegou dirigindo a sua picape. Assim que localizou as equipes policiais, ele rapidamente desceu e se entregou”, relatou em entrevista ao Portal Campo Novo.

A prisão ocorreu por meio de mandado de prisão temporária, solicitado pela Polícia Civil e autorizado pela Justiça durante as buscas. “Nesse intervalo, nós acabamos representando pela prisão temporária do suspeito, a qual foi rapidamente deferida pela Justiça”, explicou Kaiper.

A operação contou com o apoio de policiais da Delegacia Regional de Tangará da Serra, da Delegacia de Sapezal e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Versão do atirador

O delegado revelou que, nas primeiras declarações aos policiais, o atirador alegou ter efetuado disparos apenas contra uma caixa de som. A versão, entretanto, é contrariada pelas imagens de câmeras de segurança analisadas pela Polícia Civil.

“Ele alega que atirou somente na caixa de som. Contudo, nós temos as gravações. Já está comprovado que os disparos foram aleatórios e foram na direção das pessoas, com no mínimo ali o dolo eventual de acertar essas pessoas”, afirmou.

O crime ocorreu na noite de domingo (25), em frente a um bar de Campo Novo do Parecis. Conforme a investigação, o suspeito passou pelo estabelecimento e, após uma discussão, efetuou diversos disparos contra as pessoas que estavam no local.

A Polícia Civil investiga a suspeita de que a discussão tenha sido provocada por divergências políticas relacionadas ao resultado da eleição presidencial. “Supostamente, de forma preliminar, há uma motivação política decorrente de divergências entre o segundo turno das eleições”, declarou o delegado.

Guilherme Kaiper também confirmou que as imagens analisadas pela Polícia Civil indicam que Edmilson tentou reagir aos disparos para se defender e proteger outras pessoas que estavam no bar.

“Nós temos os vídeos dos fatos e, pelo que se denota de forma preliminar, o investigador, após os disparos do autor, tentou sim efetuar disparos. Me parece que inclusive fez um ou dois disparos. Isso vai ser determinado pela Politec, pela perícia”, explicou.

Segundo o delegado, as informações preliminares apontam que o investigador foi atingido por quatro tiros. A quantidade deverá ser confirmada pelo exame de necropsia.

A investigação também apura se outras pessoas presentes no estabelecimento foram vítimas de tentativa de homicídio. “Nós temos outras vítimas desse caso, que talvez serão vítimas também do crime de tentativa de homicídio. Nós estamos apurando essas pessoas ainda”, afirmou Kaiper.

O delegado ressaltou que divergências eleitorais não justificam atos de violência e garantiu que a investigação seguirá independentemente das convicções políticas dos envolvidos. “Nós entendemos a indignação das pessoas, eventual resignação quanto ao resultado das urnas, mas isso não dá o direito de as pessoas ultrapassarem o bom senso”, disse.

O assassino deverá ser interrogado formalmente na presença de seu advogado. A Polícia Civil continua reunindo depoimentos e provas para esclarecer todas as circunstâncias do assassinato.

Ao comentar a morte do colega, Kaiper destacou que Edmilson era querido na cidade e conhecido pelo bom relacionamento com a população. “O Edmilson era muito querido na cidade, era um policial sempre bem-humorado, tratava as pessoas com respeito, então não merecia esse fim trágico, e nós vamos fazer a nossa parte”, concluiu.

Por EDUARDA FERNANDES

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