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sexta-feira, julho 19, 2024
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Após ”julgamento”, facção iria matar rivais de MT

Facção comprou fazendas no MT para ter contato direto com traficantes da Bolívia; agronegócios serviram para camuflar esconderijo do bando

O Primeiro Comando da Capital (PCC) estava loteando a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia a fim de assegurar o fluxo contínuo de cocaína para São Paulo. A descoberta foi feita pela Polícia Federal durante a Operação Aracne – investigação iniciada no ano passado e que, na semana passada, levou 41 pessoas para a cadeia sob a acusação de tráfico internacional de drogas. A estratégia da facção, segundo a PF, era estabelecer contato direto com os cartéis bolivianos para eliminar intermediários e, assim, multiplicar seus lucros.

Os primeiros indícios eram de que integrantes da facção haviam adquirido fazendas em três municípios mato-grossenses: Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Nova Maringá. Mas a análise preliminar dos documentos e anotações apreendidos em poder da quadrilha revelou um esquema ainda maior. Ao todo, integrantes da organização criminosa mantinham propriedades rurais em dez cidades – cinco nas proximidades da fronteira (Cáceres, Porto Esperidião, Lambari D?Oeste, Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis), duas na região central (Nova Maringá e São José do Rio Claro) e três ao norte (Alta Floresta, Colniza e Aripuanã).

As fazendas tinham três funções básicas: parte delas abrigava pistas clandestinas para receber os aviões vindos da Bolívia, outras serviam de armazém e o restante era usado na lavagem do dinheiro obtido com o narcotráfico. Nessas localidades – cinco das dez identificadas até agora pelos federais -, o PCC investia na criação de gado e no plantio de soja. A agropecuária não tinha finalidade econômica para a facção. Servia apenas para camuflar o esconderijo dos traficantes e ocultar os recursos amealhados pela organização.

Intensificada nesta década, a migração de integrantes do PCC para Mato Grosso tem objetivo comercial. A cúpula da facção percebeu que ganharia mais dinheiro se aproximando dos principais produtores de cocaína do continente – Colômbia e Bolívia. Estima-se que cada intermediário fora do esquema representa, em média, 20% a menos no preço final da compra. “Como a facção tem acordo para o fornecimento constante de grandes quantidades da droga, conseguiu fechar um preço de ?atacado?”, explica o delegado Eder Rosa de Magalhães, mentor da Aracne.

Atualmente, diz o delegado, o PCC paga R$ 6 mil pelo quilo da pasta base de cocaína. Após o processo de refino, feito geralmente no local de destino da droga, o volume inicial é multiplicado por três. “Em São Paulo, o quilo da pasta base vale pelo menos o dobro. O lucro da facção é gigantesco”, comenta o delegado federal.

Na terça-feira, quando será concluído o inquérito da Aracne, a PF pretende indiciar seis cidadãos bolivianos por tráfico internacional de drogas. Eles pertencem aos dois cartéis com os quais integrantes do PCC mantinham “acordos comerciais”. Além de desmontar um dos maiores esquemas de compra, venda e distribuição de cocaína do País, a Aracne também serviu para que a PF mapeasse a atividade do narcotráfico na fronteira seca com a Bolívia.

Nos últimos anos, o país andino se equiparou à Colômbia na produção de coca. Dois fatores ajudam a explicar o fenômeno: a grave crise econômica enfrentada pelo país e a decisão do governo central de expulsar os agentes do departamento antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês). “A polícia boliviana nos ajudou com algumas informações, mas nota-se que a estrutura de repressão deles é limitada”, diz Magalhães.

Após ”julgamento”, facção iria matar rivais de MT

PCC extrapolou sua ?jurisdição? e interferiu numa briga entre traficantes mato-grossenses, diz a Polícia Federal

Bruno Tavares

O tribunal do PCC extrapolou sua “jurisdição” habitual e interferiu numa briga entre traficantes de Mato Grosso. Uma das “audiências”, da qual participaram integrantes da cúpula da facção detidos em penitenciárias de segurança máxima do interior de São Paulo, foi interceptada em 23 de setembro pela Operação Aracne da Polícia Federal. Embora a disputa tenha ficado sub judice após a primeira rodada de discussões, policiais que acompanharam a investigação estão certos de que os infratores seriam punidos com pena de morte.

Tudo começou em 13 de julho deste ano, após a apreensão de 1,2 tonelada de pasta base de cocaína. O carregamento, dividido em três caminhões, tinha como destino São Paulo, mas foi interceptado nas imediações de Cuiabá. O dono da droga era Jaquemar Bernardino da Silva, o Cabeludo, traficante mato-grossense ligado ao PCC e radicado em Santa Fé do Sul, no interior de São Paulo. Embora o negócio já estivesse há quase dez meses na mira da PF, Silva desconfiou que um desafeto dele, Admilson Sobrinho Tazzo, o Arrepiado, também integrante da organização criminosa paulista, o havia delatado.

Silva não teve dúvidas: enviou dois pistoleiros – Geraldo Raimundo Gonçalves e João Martins de Oliveira – a Mato Grosso para assassinar Tazzo e dois comparsas dele identificados como Fabiano e Luciano, os Irmãos Vaqueiros. Os pistoleiros chegaram ao centro-oeste do País no início de agosto. Durante alguns dias, seguiram todos os passos de seus alvos. Entretanto, acabaram sendo notados e foram seqüestrados pelos homens que deveriam ser suas vítimas. A dupla foi levada para um canavial em Mirassol do Oeste e torturada até revelar quem havia sido o mandante da emboscada. Em seguida, Gonçalves e Oliveira foram mortos a pauladas.

A quadrilha liderada por Tazzo, então, começou a organizar o revide. Em 15 de agosto, às 18 horas, homens encapuzados e armados com fuzis invadiram a fazenda de Silva e fizeram cinco pessoas reféns. Eles permaneceram no local por cerca de quatro horas, até a chegada do traficante chefe. Silva então foi rendido, levado para um matagal e assassinado a tiros.

JULGAMENTO

Depois que souberam da morte de Silva, os demais integrantes da quadrilha telefonaram para a cúpula do PCC e realizaram uma teleconferência para saber quais providências seriam tomadas. “A primeira conversa foi longa, e diversos presos emitiram opiniões sobre a disputa”, lembra o delegado Eder Rosa de Magalhães, encarregado pela Aracne. “Eles falaram com alguns ?torres?, que são os líderes da facção, mas nada ficou decidido naquele dia.” A segunda “audiência” não foi interceptada, mas o delegado diz que, ao que tudo indica, os assassinos de Silva seriam mortos assim que retornassem para a capital paulista.

Antes que deixassem Mato Grosso, no entanto, a Polícia Civil do Estado recebeu um alerta da PF e prendeu 13 pessoas – seis delas envolvidas diretamente no homicídio de Silva. Todos continuam presos, e as provas colhidas durante a Operação Aracne serão usadas pela polícia e pelo Ministério Público Estadual para pedir a condenação de todos os integrantes da quadrilha. O material deverá ser anexado ao inquérito aberto na esfera estadual na terça-feira.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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