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Barão do agro diz que armazém não é problema do Poder Público e cobra atitude do produtor

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O debate sobre a falta de capacidade de armazenagem de grãos em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta semana após declarações do empresário do agronegócio Erai Maggi Scheffer, que defendeu que a construção de silos não deve ser responsabilidade do poder público.

A manifestação ocorre em meio à pressão da Aprosoja Mato Grosso por medidas emergenciais do governo estadual para ampliar a infraestrutura de estocagem no campo. A entidade alerta para um déficit que, segundo estimativas, pode chegar a 53,5% na safra 2025/26.

Durante fala nessa última quarta-feira (29), Scheffer afirmou que o Estado não deve atuar diretamente na construção de armazéns, argumentando que o papel do governo está concentrado em outras áreas prioritárias.

Segundo ele, o setor produtivo já dispõe de alternativas de financiamento para investir na própria estrutura. “Quem tem que construir armazém é o empresário. O governo do Estado já tem a saúde para cuidar, a segurança para cuidar e tantas outras coisas. O produtor pode buscar financiamento e fazer seus próprios armazéns”, afirmou.

A discussão acontece em um momento de divergência dentro do próprio setor e do poder público sobre como enfrentar o déficit de armazenagem em Mato Grosso, um dos maiores polos agrícolas do país.

Um dia antes da declaração de Scheffer, o governador Otaviano Pivetta havia sinalizado que não pretende adotar um programa amplo de financiamento estatal para grandes produtores. Segundo ele, eventuais ações do governo devem ser direcionadas a pequenos produtores e cooperativas, por meio de mecanismos como o Fundo de Aval e a MTPar.

Mesmo reconhecendo a deficiência estrutural de armazenagem no estado, estimada em cerca de 60% pelo próprio governo, Pivetta defendeu que a atuação estatal deve ser limitada e focalizada.

Do outro lado, a Aprosoja-MT entregou ao governo estadual um conjunto de propostas para tentar reduzir o gargalo logístico. Entre as medidas sugeridas estão a desoneração de máquinas e equipamentos, revisão de normas do setor e investimentos em infraestrutura energética no meio rural.

Para a entidade, a falta de armazéns já deixou de ser apenas uma questão econômica e passou a afetar diretamente a segurança da produção agrícola. Isso porque parte significativa da safra precisa ser escoada imediatamente após a colheita, muitas vezes sendo transportada diretamente em caminhões ou, em situações mais críticas, permanecendo ao ar livre.

O impasse evidencia visões diferentes dentro do agronegócio e do governo sobre o papel do Estado na expansão da infraestrutura agrícola, em um cenário de crescente pressão sobre a logística de escoamento da produção em Mato Grosso.

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