A persistência em atividades ilícitas, mesmo sob vigilância judicial, levou o Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá a manter a prisão preventiva da enfermeira Poliana Rodrigues da Silva. A decisão, proferida pelo magistrado Cássio Leite de Barros Netto durante audiência de custódia na última sexta-feira (24), se fundamentou no fato de que medidas cautelares anteriores, como a prisão domiciliar, não foram suficientes para impedir que a acusada continuasse a exercer ilegalmente a medicina.
À frente da clínica “Fábrica dos Glúteos”, localizada no bairro Jardim Europa, Poliana é investigada por expor pacientes a riscos severos de morte e deformidades. Segundo a Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), a enfermeira realizava procedimentos invasivos privativos de médicos, como aplicação de Plasma Rico em Plaquetas (PRP), ozonioterapia e soroterapia, utilizando produtos vencidos ou sem registro na Anvisa, como toxinas botulínicas de origem sul-coreana.
O enfermeira ainda se autointitulava “Dra. Poliana” nas redes sociais. As investigações apontam que, mesmo após a interdição de seu estabelecimento pela Vigilância Sanitária, ela continuou realizando atendimentos clandestinos em outros endereços e chegou a tentar abrir uma nova unidade sob outro nome, ignorando as ordens das autoridades.
O histórico da acusada também pesou na manutenção da custódia: no momento desta nova prisão, ela já fazia uso de tornozeleira eletrônica em decorrência de antecedentes criminais por tráfico de drogas.
Diante do risco de reiteração criminosa, a Justiça determinou, além da prisão, a suspensão de seu registro profissional junto ao Coren-MT, o bloqueio de suas redes sociais e a suspensão do CNPJ de sua empresa. O Ministério Público agora deverá se manifestar sobre os documentos da defesa antes de uma nova análise do pedido de liberdade.
Por BIANCA MORTELARO




