Pelo menos 15 dos 27 vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá já converteram férias em dinheiro apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. O número representa 55,56% da atual legislatura e chama atenção pelo impacto financeiro gerado logo no início do exercício.
Conforme o levantamento feito, com base nos registros administrativos da Câmara Municipal, venderam 30 dias de férias os vereadores:
Adevair Cabral
Demilson Nogueira
Eduardo Magalhães
Chico 2000
Jeferson Siqueira
Sargento Joelson
Cezinha Nascimento
Kassio Coelho
Dr. Mara
Marcrean dos Santos
Mário Nadaf
Marcus Brito
Rafael Ranalli
Wilson Kero Kero
Já o vereador Tenente Coronel Dias optou pela conversão parcial, vendendo 10 dias.
Quanto custa?
Na prática, o vereador que converte os 30 dias integrais recebe o equivalente a um salário extra no mês do pagamento. Considerando o subsídio atual de R$ 26 mil, o adicional gira em torno desse valor bruto.
Hoje, cada parlamentar da Capital recebe:
• R$ 26 mil de salário
• R$ 26,4 mil de verba indenizatória
•R$ 9,1 mil de gratificação por desempenho
• R$ 3,1 mil de auxílio-saúde
Somados, os vencimentos mensais alcançam R$ 64,6 mil por vereador. Com a venda integral das férias, o custo individual no mês do pagamento pode ultrapassar R$ 90 mil.
Se considerados apenas os 14 vereadores que venderam 30 dias, o impacto bruto adicional supera R$ 360 mil. Incluindo os 10 dias convertidos por Luis Fernando Dias, o montante cresce ainda mais.
A conversão de férias em dinheiro é permitida por norma interna do Legislativo municipal. Um projeto de lei aprovado no fim do ano passado e sancionado em janeiro desse ano pelo prefeito Abilio Brunini (PL), passou a autorizar vereadores a venderem até 100% do período de férias, convertendo os 30 dias em abono pecuniário.
Durante a apreciação do projeto, os vereadores argumentam que a venda ocorre porque muitos optam por não se afastar das atividades parlamentares, principalmente no início do ano legislativo, quando há definição de comissões, articulações políticas e votações relevantes.
Por Fred Moraes




