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Golpe da adulteração de quilometragem fica mais refinado: veja como evitar

A compra de um carro usado ou seminovo segue como uma alternativa para driblar os preços elevados dos veículos novos. Esse mercado movimentou em 2025 18,5 milhões de unidades. No entanto, o movimento também tem ampliado a atuação de quadrilhas especializadas em adulteração de quilometragem, um golpe antigo que ganhou novas formas com o avanço da tecnologia embarcada.

Nem sempre a quilometragem é registrada em revisõesFreepik/Divulgação

A prática consiste em reduzir artificialmente a quilometragem registrada no painel para valorizar o veículo no momento da revenda. Um carro que rodou mais de 120 mil quilômetros, por exemplo, pode ser anunciado com menos da metade dessa marca, criando uma falsa impressão de conservação e baixo desgaste. Mas como funciona esse golpe hoje?

Tecnologia é aliada e vilã

Se antes a fraude se limitava à manipulação mecânica do hodômetro, hoje os criminosos utilizam equipamentos eletrônicos e softwares automotivos para reprogramar módulos do veículo. Em muitos casos, a quilometragem é alterada não apenas no painel, mas também na central eletrônica, dificultando a identificação imediata do problema.

Prática consiste em reduzir artificialmente a quilometragem registrada no painelFreepik/Divulgação

Há ainda esquemas mais elaborados em que o carro passa por troca de painel, reprogramação da ECU e até falsificação de registros de manutenção, tudo para criar um histórico coerente com a quilometragem reduzida.

Golpe na quilometragemFreepik/Divulgação

Outro ponto de atenção é o uso de veículos provenientes de frotas, locadoras ou aplicativos, que costumam ter alta rodagem em pouco tempo. Após saírem desses serviços, alguns acabam sendo “maquiados” antes de voltar ao mercado particular.

Principais sinais de alerta

Embora a fraude esteja cada vez mais sofisticada, alguns indícios ajudam o consumidor a desconfiar. E os sinais visíveis são apenas o início de um problema quando o veículo tem quilometragem adulterada:

Carros mais modernos com módulos eletrônicos também pode indicar manipulaçãoFreepik/Divulgação

• Desgaste incompatível entre quilometragem e estado de itens como volante, pedais, manopla de câmbio e bancos. O mesmo se pode dizer de uma pintura que parece nova para um veículo fabricado há alguns anos. Sinais de trocas de borrachas dos frisos, suportes e outros acabamentos também são indícios de que o carro rodou mais do que aparece no painel

• Histórico de revisões incompleto ou com grandes intervalos sem registros. Veículos vendidos como supostamente revisados mas sem o histórico devido como uma nota fiscal, ordem de serviço ou qualquer documento que comprove uma manutenção preventiva ou corretiva são outro indício.

• Diferença de quilometragem entre laudos cautelares, notas fiscais e registros de manutenção. Além disso também existem laudos emitidos há algum tempo que já não refletem o estado real do veículo ou até mesmo documentos falsos inclusive com QR code.

• Veículo com baixa quilometragem, mas já com troca recente de componentes de desgaste, como embreagem, amortecedores ou discos de freio. Em uma avaliação mecânica completa é possível perceber a troca de componentes.

Muitos consumidores ainda deixam de realizar vistorias técnicasFreepik/Divulgação

Em carros mais modernos, a divergência entre módulos eletrônicos também pode indicar manipulação. A tecnologia avançou a ponto de uma troca de módulos, painéis e itens eletrônicos.

Como bandidos burlam os controles

A principal brecha explorada pelos fraudadores está na falta de integração entre bancos de dados. Nem sempre a quilometragem registrada em revisões, seguradoras, vistorias e inspeções fica centralizada em um único sistema público.

Adulteração de quilometragem é considerada fraudeFreepik/Divulgação

Além disso, muitos consumidores ainda deixam de realizar vistorias técnicas aprofundadas, confiando apenas no painel ou na palavra do vendedor. Isso facilita a ação de quadrilhas que operam em escala, adulterando diversos veículos com o mesmo método.

O que o consumidor deve fazer antes de comprar um carro usado

Para reduzir o risco de cair no golpe, especialistas recomendam algumas medidas básicas:

• Solicitar laudo cautelar completo, com leitura eletrônica dos módulos.

• Conferir histórico de revisões em concessionárias ou oficinas credenciadas

• Desconfiar de preços muito abaixo da média de mercado

• Avaliar o carro com um mecânico de confiança, mesmo em compras entre particulares

• Priorizar veículos com procedência conhecida e documentação consistente

Crime previsto em lei

A adulteração de quilometragem é considerada fraude, podendo ser enquadrada como crime contra o consumidor e falsidade ideológica. Além do prejuízo financeiro, o comprador pode assumir riscos mecânicos e de segurança, já que manutenções importantes costumam ser postergadas com base na falsa quilometragem.

Em um mercado cada vez mais pressionado por preços e escassez de bons usados, a informação segue sendo a principal defesa do consumidor. Desconfiar, verificar e documentar cada etapa da compra é essencial para não transformar economia em dor de cabeça.

Por Marcos Camargo Jr

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