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Volta do táxi e da carona: alta de quase 60% no transporte por app muda hábitos

Pedir um carro por aplicativo, chegar rápido e com conforto – e ainda pagar pouco – é uma situação cada vez mais rara em 2026. A disparada nos preços desses serviços de transporte, que vem sendo sentida pelo passageiro e demonstrada pelos números do IBGE, fez muita gente mudar de hábitos. Táxi tradicional, transporte público e até carona com parentes e amigos viraram opções.

Em 2025, a inflação da categoria “transporte por aplicativo” foi a maior entre todos os itens compõem o índice oficial, o IPCA, fechando com alta de 56% no ano, na média nacional. Recife, Vitória, Rio, Porto Alegre e Brasília tiveram altas ainda maiores. A inflação recorde foi na capital gaúcha: por lá, os preços subiram 83,4% no ano passado.

‘Tem que esperar ficar caro para alguém vir’

A atriz e produtora cultural Vitoria Rodrigues, de Porto Alegre, sentiu que, no último ano, pedir um carro de aplicativo ficou muito mais caro e difícil. Agora, os três membros da família dela organizam bem a agenda pra usar o carro particular em todos os compromissos.

‘A gente tem feito essas divisões mais precisas do carro pra não pegar um aplicativo – até porque, quando a gente pega, é muito demorado para achar. Toda vez que eu tento chamar um aplicativo, se [a tarifa] está barata, é certeza que eles não vão vir. Tem que esperar ficar caro pra alguém vir”, relata.

“Isso está impactando a rotina, tem que começar a se programar mais cedo, tem que sair mais cedo. A gente está tentando pegar menos os carros de aplicativo”

Transporte por aplicativo — Foto: Freepik

Transporte por aplicativo — Foto: Freepik

No entanto, motoristas das plataformas dizem que o valor extra não vem sendo repassado pra quem está ao volante. O presidente da Federação dos Motoristas por Aplicativos do Brasil, Paulo Xavier, roda em Belo Horizonte, e conta que os trabalhadores estão, na verdade, recebendo menos.

“Nós motoristas não temos recebido esse aumento que foi apurado pelo IBGE e também sentido pelos passageiros em geral. Ele não chega nas mãos dos motoristas. A plataforma que está cada vez retendo mais para ela. Até pelo contrário: nós motoristas temos recebido menos. O que a gente percebe é o motorista fazendo uma seleção maior porque, cada vez mais, a oferta da corrida está muito baixa, então, se ele fizer aquela corrida [mais baixa], ele vai pagar para trabalhar”, explica.

Táxi volta ao radar com preços mais previsíveis

O táxi tradicional, que havia perdido passageiros por causa dos baixos preços dos apps, agora também voltou a ser opção. A média da inflação dos táxis, em 2025, ficou em 9,46%. No Rio, um aplicativo da prefeitura pra chamar os “amarelinhos” oferece descontos de até 40%, o que torna muitas corridas até mais baratas que as do Uber e 99.

O consultor de vendas João Victor Oliveira aderiu ao app “Táxi Rio”, e conta que, além de bons preços, também tem encontrado um bom atendimento.

“Às vezes, por exemplo, eu vou pegar um Uber da Barra da Tijuca pra Freguesia. O Uber dá R$ 30. No Táxi Rio, também vai dar R$ 30, mas você pode ter 10% de desconto, 20%, 30%, 40%. Vale a pena. Fora a segurança, a manutenção do carro, o motorista ter um registro na prefeitura…”, afirma.

Apps x táxi em dias de pico

Na última sexta-feira (16), às 18h, quando também chovia na maior parte da região Sudeste, a reportagem simulou corridas nas opções mais baratas de cada aplicativo.

No Rio, uma viagem entre o Aeroporto Santos Dumont e o Copacabana Palace, um trajeto de cerca de 9 km, estava custando R$ 66 no aplicativo 99 e R$ 36 no Uber. No app Taxi Rio, ficava entre R$ 26 e R$ 43, dependendo do desconto.

Transporte por aplicativo — Foto: Freepik

Transporte por aplicativo — Foto: Freepik

Já um trajeto entre o Aeroporto de Congonhas e a Avenida Paulista, com cerca de 10 km, custava R$ 68 no app 99 e R$ 50 no Uber X. O táxi custava R$ 59.

O economista André Braz, da FGV IBRE, explica que os preços dos apps são calculados segundo a lei da oferta e da procura, e por isso podem variar muito. Ele diz que as festas de fim de ano e férias acabam aumentando a circulação de pessoas pelas cidades, o que eleva a demanda e os preços. Mas, com a baixa temporada, esse quadro pode mudar.

“É uma demanda que se sustenta nesse período de festividades, férias e Carnaval. Agora, passando isso, entrando no período de baixa temporada, é provável que uma parte desse aumento acumulado volte. Porque a demanda não vai se sustentar à alta e o aplicativo perde competitividade se mantiver ao nível de preços mais alto num período em que a necessidade de uso desse meio de transporte se reduz”, explica.

Procon questiona reajustes e cobra explicações

A alta considerável no fim do ano levou até a questionamentos da Defesa do Consumidor. O Procon do Rio autuou Uber e 99 em dezembro e disse que as empresas não apresentaram os esclarecimentos suficientes no prazo. O processo administrativo segue em curso.

Questionada, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia, que representa Uber e 99, entre outras plataformas, disse que os preços “buscam equilibrar as demandas dos usuários por viagens com a oferta de motoristas” e questionou a metodologia do IPCA, dizendo que a forma de coleta é “desconhecida”. Citou, ainda, uma pesquisa do Cebrap que aponta que, entre 2023 e 2024, houve aumento real na remuneração dos motoristas.

Por Diogo Bugalho

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