O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que a Nobel da Paz e líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, não conta “com o apoio nem o respeito” necessários para governar seu país. A declaração do líder republicano foi feita em primeiro pronunciamento oficial sobre a ação militar realizada horas antes no território venezuelano, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.
— Acho que seria muito difícil para ela estar à frente do país. Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país. É uma mulher muito gentil, mas não inspira respeito — declarou o presidente americano em uma coletiva de imprensa em sua residência na Flórida.
Em seu pronunciamento, Trump declarou que os americanos irão permanecer na Venezuela e “essencialmente comandar o país” até que uma transição política ocorra. Questionado se tinha tido contato com a opositora, que há meses apoia a pressão militar dos Estados Unidos, Trump respondeu negativamente.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2026/5/a/pLNpVsQ3e81ziQrjqWDw/blog-duo.jpg)
O presidente americano afirmou anunciou ainda que empresas americanas retomarão suas posições na indústria de petróleo da Venezuela — que passou por um processo de nacionalização há mais de duas décadas —, ameaçando um novo ataque.
A menção à interferência americana até uma transição política em Caracas ocorreu logo no início do pronunciamento inicial. Questionado após a abertura para perguntas sobre quem iria governar o país, Trump afirmou que o governo americano designaria nomes para tratarem diretamente do assunto, e sugeriu que conversas entre autoridades americanas e venezuelanas já estariam em curso.
— É o que está acontecendo agora. Estamos designando pessoas, falando com pessoas. Vocês ficarão sabendo. — disse Trump, acrescentando que o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o general Dan Caine, chefe do Estado-maior conjunto, que o acompanharam na coletiva, estariam diretamente nesta operação.
Ainda de acordo com o presidente americano, as autoridades estariam observando nomes dentro da Venezuela, incluindo militares do país, para coordenar o processo de transição política. Ele evitou se referir diretamente aos possíveis líderes de um governo de transição, mas ao ser questionado sobre o papel da vice-presidente Delcy Rodríguez, afirmou que ela teria mantido contato com Rubio mais cedo.
Pouco antes, María Corina havia publicado uma nota em suas redes sociais reivindicando que seu aliado, Edmundo González Urrutia, assumisse “imediatamente” a Presidência do país.
“Este é o momento dos cidadãos. Para aqueles de nós que arriscaram tudo pela democracia em 28 de julho. Para aqueles de nós que elegeram Edmundo González Urrutia como o legítimo Presidente da Venezuela, que deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais por todos os oficiais e soldados que as compõem”, escreveu em nota publicada em seu perfil no X.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2025/D/e/dSeelPTZAhCb3rKiO9SQ/108283063-venezuelan-opposition-leader-maria-corina-machado-speaks-to-supporters-while-holding-e.jpg)
Nas últimas eleições presidenciais realizadas em julho do ano passado na Venezuela, María Corina, impedida de participar do pleito por inelegibilidade decretada em 2023, se aliou a González Urrutia para se opor ao presidente chavista. Apesar da vitória de Maduro, reeleito para o terceiro mandato, ter sido confirmada pelas autoridades eleitorais venezuelanas, a oposição rejeitou o resultado do pleito, alegando que as eleições teriam sido fraudadas sob o regime ditatorial de Maduro.
Grande parte da comunidade internacional aderiu ao posicionamento dos adversários do líder venezuelano e diversos países reconheceram González Urrutia como presidente legítimo do país, incluindo os Estados Unidos. Diante das ameaças de prisão que recebeu do governo venezuelano após as eleições, o adversário de Maduro fugiu do país em setembro em direção à Espanha, onde vive asilado desde então.




