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Técnico é preso por desviar mounjaro e desaparecer com aparelhos de exames cardíacos

Um técnico de 33 anos foi preso preventivamente na sexta-feira (27), em Brasília (DF), suspeito de desviar o medicamento para emagrecimento tirzepatida, conhecido popularmente como Mounjaro — com aplicação direta em pacientes — e de furtar aparelhos de alta complexidade usados em exames cardíacos. A ordem judicial é resultado de uma investigação conduzida pela Delegacia de Alto Araguaia, após indícios de uma articulação criminosa envolvendo o vínculo profissional do investigado em uma clínica do município.

A apuração começou com registros de furtos em Rondonópolis, atendidos pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf). Com o avanço das diligências, os investigadores identificaram um padrão de atuação que apontou para um funcionário técnico que teria usado o acesso facilitado pelo trabalho e métodos fraudulentos para subtrair bens de alto valor — e, paralelamente, lucrar com a aplicação do medicamento, recebendo pagamentos diretamente.

Aparelhos sumiram após exames marcados

Os furtos registrados em Rondonópolis foram determinantes para a abertura do caso. Há indícios de que o suspeito teria agendado exames cardiológicos em clínicas e, depois da instalação dos equipamentos de monitoramento, deixado o local sem devolver os aparelhos. A investigação aponta o uso de pedidos de exames falsos e outros artifícios para viabilizar o acesso aos dispositivos.

Entre os equipamentos citados na apuração estão CardioMapa e Holter, usados em exames de monitoramento cardíaco. Os indícios reunidos sugerem que os furtos podem ter ocorrido em mais de uma unidade da federação, com fatos relacionados a Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Conforme a investigação, o suspeito pode ter subtraído mais de 20 aparelhos em diferentes localidades. Até agora, há registro de três equipamentos furtados em Rondonópolis e outros três em Alto Araguaia.

Além do prejuízo patrimonial, os investigadores alertam para risco à saúde: equipamentos de monitoramento exigem manuseio adequado e calibração anual. Sem esse controle, medições podem ser comprometidas, com possibilidade de resultados errôneos e impacto na avaliação médica e na indicação de tratamento.

Desvio de medicamento e cobrança “por fora”

A Delegacia de Alto Araguaia também apurou indícios de desvio de tirzepatida, medicamento utilizado para emagrecimento. Segundo as informações reunidas, o suspeito teria realizado aplicações em pacientes e recebido os valores diretamente, fora dos canais formais da clínica, por meios como PIX/transferência e/ou máquina de cartão em seu nome.

Há ainda indicativos de que medicamentos comprados em nome da clínica tiveram o local de entrega alterado sem autorização, com remessas para outros estados — o que, para a investigação, reforça a suspeita de um esquema estruturado e com potencial número elevado de vítimas.

De acordo com o delegado Marcos Paulo Batista de Oliveira, o avanço das diligências ampliou o foco do inquérito. “As diligências também apontaram indícios de que o suspeito teria praticado outras irregularidades, ampliando o escopo da apuração”, destacou.

Mandado cumprido enquanto suspeito já estava preso

Com as provas e evidências reunidas, a Delegacia de Alto Araguaia representou pela prisão preventiva, deferida pelo Poder Judiciário. Na sexta-feira (27), a equipe foi a Brasília para cumprir o mandado: o investigado já se encontrava preso por outra investigação conduzida no Distrito Federal. Além do cumprimento da ordem, foram realizados atos de polícia judiciária, incluindo interrogatório.

A Justiça também autorizou a quebra do sigilo bancário do suspeito para mapear transações financeiras e fortalecer a apuração. As investigações seguem para identificar pacientes que possam ter pago diretamente ao investigado, localizar o paradeiro dos equipamentos furtados/desviados da clínica de Alto Araguaia e dimensionar a extensão dos fatos.

Em tese, ele poderá responder por furto qualificado pelo abuso de confiança e mediante fraude, estelionato, apropriação indébita majorada e perigo para a vida ou saúde de outrem. Somadas, as penas podem ultrapassar 15 anos de reclusão.

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