O ex-jogador, de 40 anos, foi condenado a nove anos de prisão por caso ocorrido na Itália
Robinho falou pela primeira vez sobre a condenação no exterior por estupro coletivo contra uma jovem na Itália. O ex-jogador, de 40 anos, foi condenado a nove anos de prisão e questionou durante a entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, o motivo de ter sido o único a responder pelo crime.
“Fui condenado na Itália injustamente por nove anos por algo que não ocorreu e tenho todas as provas”, questionou ele. “Espero que a Justiça seja feita, que aqui não Brasil eu possa ter voz que eu não tive lá fora. São provas tão relevantes, mas para a Justiça italiana não foram. Não sou esse monstro. Continuo sendo respeitoso e carinhoso. Sou inocente”.
Ele relembra o episódio em 2013, quando o jogador encontrou a mulher de origem libanesa em uma boate em Milão, na Itália. Ele diz que estava com sua esposa no local e que tem prints de conversas que mostram que a mulher planejava se aproximar dele assim que ele estivesse desacompanhado.
“Minha esposa foi para casa descansar e eu continuei me divertindo com os meus amigos. Uma moça se aproximou, começou a ter leve contato. Fomos a um lugar que dava para todo mundo ver. Logo após o rápido contato com ela, fui para casa. Nada aconteceu, além disso”, afirmou ele.
“Ela estava combinando de se aproximar só de mim quando a minha esposa deixasse o local. O que eu tive com ela aconteceu muito rápido. Eu saí do local e fui embora para casa. Tivemos troca de olhares e beijos. Nenhum momento me empurrou ou falou ‘para’. Quando vi que ela queria continuar com os outros rapazes, fui para casa. Foi uma relação consensual e autorizada por ela”, continuou ele.
Robinho afirmou que a mulher estava sóbria: “Em nenhum momento ela estava alterada. Temos imagens da mulher vista dançando com outras pessoas. Não era local fechado. Era um lugar bem calmo e ela não aparentou estar inconsciente. Quem está inconsciente não lembra de tudo o que aconteceu, como ela diz que se lembra. Ela foi para outra discoteca e continuou se divertindo”.
Contradizendo áudios
A fala dele ao programa contraria os áudios que foram gravados de uma escuta de Robinho em que ele falava que tinha penetrado a mulher, além de fazer sexo oral, e que ela estaria muito bêbada.
“Os áudios foram um ano depois do ocorrido. Isso foi em 2013 e áudios em 2014. Eles começaram com história de gravidez e depois que ela queria 60 mil euros, minha risada foi de indignação e não de deboche à vítima. Só queria me livrar daquela situação. Esses áudios foram fora do contexto de pessoas que queria me extorquir”, disse ele, que acredita estar sendo alvo de racismo.
“Ter sido inconsequente não significa que eu seja um criminoso. Jamais cometeria um crime desta magnitude”, afirmou sobre a infidelidade.
Robinho diz que não sabe o que aconteceu depois de sua saída do local, mas que os amigos disseram que ficaram com a mulher com o consentimento dela. Ele ressaltou que não estava mais no local. “A mulher me acusa de algo tão grave e bárbaro. Por que só eu estou respondendo por isso?”, questionou.
A ação que será julgada nas próximas semanas no Superior Tribunal de Justiça no Brasil que irá determinar se ele cumpre ou não pena no Brasil pelo crime.
RELEMBRE O CASO ROBINHO NA JUSTIÇA
O crime cometido por Robinho aconteceu na Sio Café, badalada boate de Milão, na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013. À época, Robinho era um dos principais jogadores do Milan. Além dele e do amigo Ricardo Falco, outros quatro brasileiros, segundo a denúncia da Procuradoria da cidade, participaram da violência sexual contra uma mulher de origem albanesa.
Amigos do jogador que o acompanhavam no exterior, os outros quatro brasileiros deixaram a Itália durante a investigação e não foram acusados, sendo apenas citados nos autos. A vítima, residente na Itália há alguns anos, naquela noite foi com uma amiga à boate – a violência ocorreu dentro do camarim do local – para comemorar seu aniversário de 23 anos.
Após deixar a Itália, Robinho passou pelo Atlético-MG e por dois clubes turcos: Sivasspor e Istambul Basaksehir. Em outubro de 2020, chegou a ser anunciado pelo Santos, mas não entrou em campo pelo clube, já que teve seu contrato suspenso e posteriormente encerrado.
A primeira condenação do ex-jogador do Santos e de Ricardo Falco aconteceu em novembro de 2017. Na ocasião, Robinho jogava no Atlético-MG. Ele deixou a Itália em 2014, quando já tinha sido convocado a depor no inquérito que apurava o crime – o jogador negou a acusação, mas confirmou que manteve relação sexual com a mulher, ressaltando que ela foi consensual e sem outros envolvidos. No caso de Falco, uma perícia encontrou a presença de seu sêmen nas roupas da jovem.
No julgamento realizado na segunda instância, em dezembro de 2020, a Corte de Apelação de Milão manteve a condenação inicial de nove anos de prisão. As três juízas responsáveis pela sessão destacaram o “particular desprezo” de Robinho com a vítima, que foi “brutalmente humilhada”, e o que consideraram uma tentativa de enganar a Justiça italiana com uma “versão dos fatos falsa e previamente combinada” com os outros envolvidos.
Áudios de conversas entre o ex-jogador Robinho com amigos foram divulgados no podcast Os grampos de Robinho, do site UOL. Trechos dos diálogos de Robinho com amigos têm falas fortes conteúdo delicado exposto pelo podcast UOL Esporte Histórias: “Eu comi a mina, ela fez chupeta pra mim e depois saí fora. Os caras continuaram lá”. Em outro momento, Robinho se mostra preocupado: “Caralho, se esse bagulho sai na imprensa, vai me f*****”.
Fonte: Quem Online




