A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado foi marcada para 29 de abril, após um intervalo de quase cinco meses entre o anúncio e o envio formal de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o advogado-geral da União foi indicado para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Apesar da indicação ter sido anunciada em novembro 2025, o nome só foi encaminhado oficialmente ao Senado no fim de março, após um período de impasse político que travou o início da tramitação. Nesse intervalo, o STF operou com um juiz a menos.
O principal fator para a demora foi a atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que resistiu à escolha feita por Lula e chegou a colocar em dúvida a viabilidade da aprovação de Messias. Alcolumbre defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB) como alternativa para a vaga no Supremo, o que acirrou o impasse entre o Palácio do Planalto e o comando da Casa.
O embate chegou no apogeu quando o líder do Senado atropelou o processo regulamentar e marcou sabatina antes mesmo do envio formal da indicação, reduzindo o tempo de articulação política do governo. Diante da pressão de aliados, no entanto, a sessão acabou cancelada.
A avaliação era de que o nome de Messias não tinha apoio consolidado e poderia enfrentar dificuldades para atingir os 41 votos necessários para aprovação em plenário. Após a nova datação da sabatina, políticos de oposição reiteraram sua resistência contra o advogado-geral.
Diante do risco de derrota e da resistência no Senado, o governo adiou o envio da indicação e intensificou a articulação política ao longo dos meses seguintes. O impasse começou a ser superado quando Alcolumbre reduziu — ao menos publicamente — a oposição ao nome de Jorge Messias, abrindo espaço para o avanço do processo.
Com o nome protocolado, a definição da sabatina na CCJ do Senado marca o início efetivo da tramitação. A etapa é decisiva para medir o nível de resistência remanescente antes da votação final no Plenário.




