O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Mato Grosso vive uma das fases mais críticas de sua trajetória recente. Sob a presidência estadual da deputada Janaína Riva, o partido enfrenta um acelerado processo de esvaziamento político.
Ao assumir o comando do partido, a deputada teria acreditado que herdaria uma estrutura de poder sólida, quando, na avaliação de emedebistas, encontrou uma organização fragilizada e alvo de ofensivas políticas, inclusive de setores ligados ao governo estadual.
Segundo interlocutores do MDB ouvidos, a presidente estadual apostou excessivamente no poder formal do cargo e deixou em segundo plano a articulação política e o fortalecimento das bases eleitorais.
O quadro de possíveis deserções reforça a crise. Fontes ligadas ao PRD indicam que o deputado estadual Juca do Guaraná avalia deixar o MDB e migrar para a legenda ligada ao suplente de senador Mauro Carvalho. O deputado federal Emanuelzinho deve se filiar ao PSD, enquanto Juarez Costa é apontado como futuro integrante do Republicanos, partido ao qual se aproxima por afinidade política com o vice-governador Otaviano Pivetta.
Caso essas saídas se confirmem, o MDB pode perder cerca de 150 mil votos, um capital eleitoral considerado decisivo. Para dimensionar o impacto, dirigentes lembram que, nas eleições de 2018, a diferença entre o segundo e o terceiro colocado na disputa ao Senado em Mato Grosso foi de pouco mais de 55 mil votos.
Essa redução significativa pode comprometer diretamente as chances do partido nas eleições proporcionais e ameaça, de forma direta, o projeto político da própria Janaína Riva.
Outro ponto de forte crítica interna é a falta de atenção às candidaturas proporcionais. Dirigentes avaliam que a direção estadual negligenciou a formação de chapas competitivas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, quebrando uma lógica considerada fundamental na dinâmica partidária.
Nos bastidores, a avaliação é de que não há projeto viável para cargos majoritários sem uma base legislativa forte. A ausência de deputados estaduais e federais enfraquece a representação institucional do partido e reduz drasticamente sua capacidade de articulação e sobrevivência política no médio prazo.
Além dos problemas internos, o MDB também enfrenta pressão externa. Lideranças relatam uma postura hostil do governo estadual, com movimentos articulados para enfraquecer a legenda e isolar politicamente Janaína Riva. Embora não haja consenso sobre quais grupos atuam diretamente nesse processo, a percepção geral é de que a presidente estadual não dispõe de força política suficiente para reagir à ofensiva.
O isolamento se reflete, inclusive, na condução interna do partido. Dirigentes afirmam que reuniões deixaram de ocorrer com regularidade e que há casos de lideranças que não se encontram com a presidente estadual há três ou quatro meses, ampliando a sensação de abandono e desorganização.
Diante desse cenário, o MDB de Mato Grosso chega a uma encruzilhada decisiva. Se a tendência atual persistir, o partido pode chegar às eleições de 2026 com uma estrutura reduzida e fragmentada, incapaz de competir em condições minimamente equilibradas. O cenário mais pessimista prevê a dispersão definitiva de quadros para legendas como PSD, Republicanos, PRD e Podemos.
Para Janaína Riva, o momento é considerado crucial. Sua credibilidade como dirigente partidária está sob questionamento, e a incapacidade de conter o esvaziamento pode comprometer não apenas o futuro do MDB no Estado, mas também suas próprias ambições políticas nos próximos anos.




