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Laudo da Politec descarta penetração, mas confirma DNA de policial no corpo de detenta

Novos desdobramentos no inquérito que investiga o policial civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, podem significar uma “reviravolta” na condução do caso ocorrido dentro da Delegacia de Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá), em Mato Grosso. O laudo da Politec, descarta a ocorrência de conjunção carnal recente contra a detenta que denunciou os abusos.

A análise pericial, realizada após a denúncia da jovem, foi negativa para a presença de espermatozoides ou lesões que comprovassem a penetração. No entanto, o documento não descarta a ocorrência de crime sexual. Isso porque, em exames complementares de DNA, foi detectado material genético (saliva) do investigador no corpo da vítima, o que configura ato libidinoso e mantém a tipificação de estupro conforme o Código Penal.

Não foram encontrados elementos biológicos compatíveis com sêmen ou vestígios de conjunção carnal recente nas amostras analisadas. Entretanto, a perícia confirmou perfil genético coincidente com o do suspeito em outras regiões examinadas. A ausência de penetração não exclui, por si só, a prática de atos libidinosos diversos, objeto de apuração no presente inquérito“, diz trecho do documento.

Diante das novas provas técnicas, as apurações continuam para elucidar exatamente o que houve dentro da unidade policial. O investigador, que inicialmente confessou o crime após ser confrontado com a presença de seu DNA, segue sob custódia.

“Horas de horror”

Em entrevista exclusiva ao jornalista Roberto Cabrini, no programa Domingo Espetacular, da TV Record nesse domingo (8), a jovem detalhou a rotina de abusos sob custódia do Estado. Segundo ela, o investigador a retirou da cela quatro vezes durante a madrugada.

Não dava [para gritar]. Eu voltei muito perturbada para dentro daquela cela. Não tinha o que fazer”, desabafou. Outras presas relataram que a jovem sempre retornava chorando e, em uma das ocasiões, chegou a usar a água destinada ao consumo dos detentos para se lavar, em uma tentativa desesperada de retirar os vestígios do abuso.

Delegacia polêmica

A denúncia de estupro é apenas a ponta do iceberg de uma crise institucional na unidade de Sorriso. Paralelo ao caso do investigador Manoel, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura o vazamento de áudios e prints de um grupo institucional denominado “DHPP/Assuntos Oficiais”.

O material, extraído de um celular em outubro de 2025, indica uma série de práticas criminosas que teriam sido cometidas por policiais da unidade: forja de flagrantes, com diálogos que sugerem a “montagem” de cenas de crime para incriminar suspeitos; simulação de confrontos, com menções a mortes que teriam sido forjadas como “troca de tiros”; uso de aplicativos para monitorar alvos sem autorização judicial, além de abusos e torturas contra outros presos.

O Ministério Público classificou o cenário como de “gravidade excepcional”, destacando que servidores públicos transformaram uma repartição do Estado em um cenário de violência sexual e irregularidades administrativas.

Prisão

Manoel Batista da Silva, que atuava na PJC desde 2001 e recebia um salário de R$ 22 mil, segue preso preventivamente. A Polícia Civil agora investiga se há outras vítimas do investigador, aproveitando o longo tempo de atuação dele na instituição.

Quanto à vítima do estupro, dias após a denúncia e a entrevista nacional, ela teve um novo mandado de prisão expedido por suposta ligação com organização criminosa e tortura, acusações que ela nega veementemente, afirmando ser alvo de retaliação.

DO REPÓRTERMT

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