A decisão da Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) que afastou o desembargador Dirceu dos Santos, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mostra uma evolução estarrecedora.
A quebra dos sigilos bancário e fiscal do magistrado revelou que, nos últimos cinco anos, ele movimentou R$ 14.618.546,99 em bens, montante que o órgão considera incompatível com os subsídios pagos pela magistratura.
O relatório detalhado do Imposto de Renda aponta que a variação patrimonial “a descoberto”, quando os gastos e bens superam os ganhos declarados, foi intensa entre 2021 e 2023.
O pico dessa discrepância ocorreu justamente no último ano, quando a diferença entre o que o desembargador acumulou e o que ele recebeu legalmente de salário atingiu R$ 1.913.478,48. Para a Corregedoria, os indícios sugerem que esse incremento financeiro coincide com o período em que ele teria proferido decisões em troca de vantagens indevidas.
Sob o comando do ministro Mauro Campbell Marques, a investigação agora foca na rede de intermediação que envolveria advogados e empresários.
Além do afastamento, a Polícia Federal (PF) realizou a extração de arquivos digitais e o espelhamento de dispositivos eletrônicos no gabinete do desembargador.
Dirceu é o segundo integrante da Corte afastado sob suspeita de venda de sentenças, juntando-se ao desembargador João Ferreira Filho, também fora das funções por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Por ANA JÁCOMO




