Familiares de duas vítimas de um grave acidente de trânsito ocorrido na manhã de segunda-feira (15), na rodovia MT-010, a Estrada da Guia, em Cuiabá, acusam o motorista de um Jeep Commander de omissão de socorro. O condutor nega a acusação e afirma que não foi responsável pela batida. Ao todo, seis pessoas ficaram feridas, entre elas um bebê.
De acordo com familiares dos ocupantes do Chevrolet Classic, o acidente teria sido provocado pelo motorista do Jeep Commander. A família também alega que entre os passageiros do veículo estava uma médica, que não teria prestado socorro às vítimas. A versão é contestada pela defesa do motorista do Jeep Commander, que afirma que o condutor não provocou o acidente. Além disso, a defesa também alega que a médica, em estado de estresse traumático no primeiro momento após a colisão, teve como reação imediata proteger os filhos e verificar a integridade física das demais vítimas, que já estavam sendo atendidas por terceiros que acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O acidente envolveu três veículos: um Chevrolet Classic, um Jeep Commander e um Honda City. No Classic estavam dois homens. Um deles sofreu fraturas nas duas pernas, enquanto o outro, seu pai, teve fratura de costela e lesão pulmonar. No Jeep Commander estavam um casal e duas crianças. Já no Honda City viajavam quatro pessoas, incluindo um bebê que, segundo relatos, sofreu ferimento grave na cabeça e foi levado para atendimento médico especializado. As demais vítimas receberam atendimento no local e foram encaminhadas para unidades de saúde da região.
O acidente foi registrado por volta das 7h30 e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da aeronave do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer). Duas vítimas ficaram presas às ferragens e precisaram ser desencarceradas. Um dos feridos, em estado grave, foi encaminhado de helicóptero para uma unidade hospitalar.
Acusação da família
A familiares do ocupantes do Chevrolet Classic contaram que o acidente teria sido provocado pelo motorista do Jeep Commander, que, conforme boletim de ocorrência registrado, teria tentado realizar uma ultrapassagem em faixa contínua, em um trecho de aclive da rodovia.
Ainda segundo a família, após a batida, os ocupantes do Jeep não teriam prestado socorro às vítimas. Conforme o relato, a mulher que estava no veículo é médica e não teria prestado atendimento aos feridos. Eles afirmam que o condutor do Jeep teria apenas acionado a seguradora e repassado o contato de um advogado.
Versão da defesa
Em nota, o advogado que defende o casal que estava no Jeep Commander negou as acusações de omissão de socorro e contestou a versão apresentada pela família do Classic. Segundo a defesa, o motorista do Jeep chegou a avaliar uma ultrapassagem, mas abortou a manobra ao avistar um veículo em sentido contrário, retornando à sua posição atrás do Classic.
Ainda conforme a defesa, o acidente ocorreu após o motorista do Chevrolet Classic realizar uma frenagem brusca, perder o controle do veículo e colidir com o Honda City, que trafegava no sentido oposto. A nota sustenta que os danos no Jeep Commander são incompatíveis com uma ultrapassagem forçada.
O advogado afirmou ainda que seu cliente permaneceu no local do acidente, realizou o teste do etilômetro, que apontou resultado negativo para consumo de álcool, e que o socorro já havia sido acionado por terceiros. Sobre a postura da médica, a defesa afirma que ela agiu priorizando a proteção dos dois filhos pequenos.
Conforme a nota, devido ao forte estresse traumático, a reação imediata da médica foi proteger os filhos e verificar a integridade física das demais vítimas que, segundo a defesa, já estavam sendo atendidas por terceiros que acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A nota também sustenta que, após o acidente, populares teriam tirado conclusões precipitadas e tornado o ambiente hostil, imputando a responsabilidade do acidente ao condutor do Jeep.
A defesa pede ainda que cessem as agressões e ofensas à honra do casal, afirmando que ambos agiram com humanidade e responsabilidade ao proteger os vulneráveis sob sua tutela direta enquanto aguardavam a chegada das autoridades e do socorro especializado. A nota reforça que, caso as ofensas por meio das mídias sociais continuem, serão adotadas as providências cabíveis para responsabilização pelos atos e falas consideradas descabidas.
As causas do acidente seguem sob investigação da Polícia Civil.




