26.7 C
Mato Grosso
domingo, fevereiro 8, 2026
spot_img
HomeVariedadesExposição mostra como fotos já eram manipuladas muito antes das IAs

Exposição mostra como fotos já eram manipuladas muito antes das IAs

Costuma-se dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, mas será que ainda confiamos nela para dizer a verdade?

A internet, ferramentas de edição, mídias sociais e — é claro — a inteligência artificial, nos tornaram cada vez mais conscientes de que, quando se trata de fotografia, as aparências enganam.

Imagens fabricadas, como a suposta foto de fichamento policial do presidente dos EUA, Donald Trump, costumam viralizar após capturar a imaginação do público.

Mas, embora a tecnologia que nos permite criar fotos de bebês dançando break e gatos gangsters esteja em constante evolução, manipular imagens não é novidade — como demonstra uma próxima exposição no Rijksmuseum em Amsterdã.

Com abertura na sexta-feira, “Fake!” mostra como as ilusões visuais têm sido criadas desde meados do século 19.

“Todos nós falamos sobre IA hoje em dia”, disse o curador da exposição, Hans Rooseboom, à CNN Internacional em uma chamada de vídeo.

“Estamos acostumados com o Photoshop e outras formas digitais de alterar imagens, mas queríamos mostrar que sempre foi assim, desde os primórdios da fotografia.”

“As pessoas sempre tiveram a tendência de brincar com todas as possibilidades que a fotografia oferece, tanto com a câmera e na câmara escura, ou com tesoura e cola de uma forma não digital.

Para criar uma fotocolagem, o artista corta e cola fisicamente as imagens. Em uma fotomontagem, várias imagens são combinadas e depois fotografadas novamente.

Como muito do que vemos da IA hoje, muitas dessas primeiras imagens mostram cenas obviamente fantásticas — como um homem empurrando uma versão gigante de sua própria cabeça em um carrinho de mão, ou uma enorme espiga de milho sendo arrastada por cavalo e uma carroça.

Mas em uma época em que viralizar ainda não era uma coisa, por que os primeiros fotógrafos se esforçavam tanto para criar imagens falsas?

“Por que as pessoas não falsificariam fotografias?”, perguntou Rooseboom. A fotografia “nunca foi realista”, disse ele, particularmente no século 19, quando as pessoas estavam “mais acostumadas a ver pinturas, gravuras, desenhos que não dizem as verdades literais.

“As pessoas estavam apenas se acostumando lentamente com a fotografia e talvez se acostumando lentamente com a ideia de que as fotografias poderiam ser mais realistas do que outras imagens.” Mas, acrescentou: “Há muito poucos comentários da época, então dificilmente sabemos as reações do público ao que viram.”

O motivo esmagador para as primeiras falsificações era fornecer entretenimento — cerca de três quartos das imagens na exposição foram criadas com esse propósito, disse Rooseboom. Outras foram criadas para publicidade ou para fazer uma declaração política.

John Heartfield, o pseudônimo do artista alemão Helmut Herzfeld, foi um importante satirista fotográfico que se opôs ferozmente a Hitler e seu partido nazista. A imagem de Heartfield de 1934, usada na capa da revista de esquerda Workers’ Illustrated Magazine (Arbeiter-Illustrierte-Zeitung) mostra Joseph Goebbels, principal propagandista nazista, como o barbeiro de Hitler.

“É Hitler, mas Goebbels está transformando-o em (Karl) Marx para atrair o eleitorado dos trabalhadores”, disse Rooseboom.

“Heartfield é o mais conhecido e, eu acho, a pessoa mais inteligente a ter usado a fotografia para zombar do nazismo e tudo o que o regime fez, e para tentar alertar as pessoas sobre todos os perigos que estavam surgindo ou já ocorrendo.

“É muito interessante porque esse tipo de sátira ainda é muito prevalente, se não mais do que nunca.”

Em contraste com os primeiros voos de fantasia e sátira, o fotojornalismo realmente só começou a evoluir no período entre guerras, e com ele veio uma nova expectativa sobre a fotografia de ser verdadeira.

“As pessoas estavam apenas começando a se acostumar a ver muitas fotografias nas décadas de 1920 e 1930 com revistas populares”, disse Rooseboom.

“Não havia desconfiança [antes desse período] porque as pessoas só estavam acostumadas a ver imagens desenhadas à mão, então só lentamente a ideia se infiltrou de que a fotografia poderia e deveria dizer a verdade.”

Em cerca de três quartos das imagens apresentadas na exposição, a falsificação é “realmente clara”, disse Rooseboom — dando o exemplo de alguém que parece ter realizado uma decapitação teatral — mas em algumas, é mais difícil detectar como a manipulação foi feita.

Por Lianne Kolirin

Noticias Relacionadas
- Advertisment -
Google search engine

Mais lidas