Foi reaberto o processo de indenização contra o ex-policial militar Ricker Maximiano de Moraes, condenado a mais de 12 anos de prisão por tentativa de homicídio contra Wellington Vinícius de Souza Coisa, que tinha 17 anos na época do crime. A decisão foi assinada pelo juiz Yale Sabo Mendes, da 7ª Vara Cível de Cuiabá. O réu é o mesmo que matou a esposa a tiros, em maio de 2025, na frente dos filhos em Cuiabá.
O caso estava parado desde 2022 porque a Justiça aguardava o resultado do julgamento criminal, realizado pelo Tribunal do Júri em julho do ano passado. A defesa ainda recorre da condenação, mas o magistrado entendeu que isso não impede o andamento da ação de indenização.
Agora, a Justiça passará a analisar os danos sofridos pela vítima e a possibilidade de pagamento de indenização. Entre os pontos que serão avaliados estão a gravidade das lesões físicas e psicológicas, possíveis danos morais e materiais e a alegação de que Wellington perdeu a oportunidade de se tornar jogador profissional de futebol após o atentado.
O juiz também decidiu que não haverá depoimento de testemunhas no processo. Segundo ele, a discussão sobre como o crime aconteceu já foi resolvida pelo Tribunal do Júri.
Foi autorizada a realização de uma perícia médica e psicológica para avaliar as sequelas deixadas pelo crime. O exame deverá analisar possíveis limitações físicas, danos estéticos e impactos emocionais sofridos pela vítima. Depois dessa etapa, a Justiça poderá decidir se o réu deverá pagar indenização e qual será o valor.
Entenda
O crime aconteceu em 2018. Wellington passava com dois amigos pela Avenida General Melo, em Cuiabá, quando riu ao ver Ricker Maximiano de Moraes discutindo com a namorada. O ex-policial interpretou a risada como deboche, levantou a camisa, sacou a arma e perseguiu os adolescentes. Durante a perseguição, Wellington foi atingido por um disparo e precisou passar por cirurgia.
Feminicídio
No dia 25 de maio de 2025, Ricker matou a esposa Gabrieli Daniel a tiros na residência do casal, no bairro Praieiro, em Cuiabá, na frente dos filhos de 3 e 5 anos. Após assassinar a mulher, ele fugiu levando as crianças.
Horas depois, o ex-policial se apresentou na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi autuado em flagrante por feminicídio.
Em depoimento ao delegado Edson Pick, responsável pelo caso, Ricker afirmou que a morte foi uma “fatalidade” e que estava “de cabeça quente”. Ele não informou o motivo do crime e disse que não estava em condições emocionais de responder às perguntas naquele momento.



