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Comércio amarga início de ano fraco; ‘Temos que caçar cliente na rua’

O comércio do Centro de Cuiabá vive um momento delicado, marcado por ruas menos movimentadas, queda nas vendas e uma sensação generalizada de esvaziamento. Trabalhadores da região descrevem um início de ano desanimador, pois, apesar de ainda haver circulação de pessoas em alguns pontos, o fluxo já não se converte em consumo como antes.

Ryan Silva, 23, é atendente de uma loja de departamentos e avalia que, com metas cada vez mais difíceis de bater, há a necessidade de sair da loja para “caçar” clientes na rua. Segundo ele, a queda no número de consumidores obrigou a equipe a mudar a rotina de trabalho.

“No momento, está muito ruim. Janeiro e fevereiro estão sendo péssimos, ainda mais para quem trabalha com metas. A gente tem que sair da loja para captar clientes e trazer para dentro, para conseguir alcançar nossas metas”, detalhou.

Já Andreza Queiroz, 32, é atendente de uma loja de preço único, onde os produtos custam R$ 5, e, mesmo com o valor atrativo, sentiu a queda no movimento. A avaliação que faz é que após a saída dos ambulantes da Rua 13 de Junho, houve uma redução perceptível no fluxo de pedestres e também no volume de clientes que entram na loja.

Na percepção da trabalhadora, muitas pessoas evitam ir ao centro devido às taxas do estacionamento rotativo e da dificuldade de lidar com aplicativos após a implantação do sistema. “Ah, deixei meu carro longe, bem longe, e tem gente que não sabe mexer com aplicativo e acaba desistindo”, alega.

Assim como Andreza, a gerente de uma loja de vestuário na rua 13 de Junho, Camilla Melo, 24, afirma que a insatisfação é compartilhada por outros comerciantes e que houve até uma mobilização recente para discutir a situação.

“Outros lojistas estão fazendo as mesmas reclamações e, inclusive, esta semana, duas lojas estavam fazendo uma pesquisa entre os comerciantes para saber a opinião deles, porque também estão muito insatisfeitos”, relata.

Diante do cenário, a loja precisou investir mais no ambiente digital para conseguir manter a unidade física aberta. “Estamos adaptando a loja mais para o online, porque só com as vendas no Centro não dá. Se você for depender somente do público do Centro, as lojas fecham, como a Marisa, que fechou alguns dias atrás”, diz Camilla.

Em contraponto, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Júnior Macagnam, defende o estacionamento rotativo. Segundo ele, a medida é uma reivindicação antiga do setor e ajuda os clientes a estacionarem mais perto das lojas.

“O estacionamento rotativo é uma briga antiga dos lojistas e da CDL. Hoje sabemos que, com as compras online, proporcionar uma experiência excelente para o cliente é extremamente positivo para fazer com que ele saia de casa. Assim, a partir do momento em que você tem a disponibilidade de um estacionamento na porta da sua loja, principalmente em uma cidade como Cuiabá, que é muito quente, isso vai facilitar que esse cliente chegue até a sua loja”, explica Macagnan.

Na prática, porém, muitos motoristas ainda não entendem como o sistema opera. Ele é identificado com faixas azuis nas ruas e funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Aos sábados, domingos e feriados, o estacionamento é gratuito.

Para usar a vaga rotativa, é preciso estacionar em local sinalizado e ativar o tempo de permanência, informando a placa do veículo e pagando pelo período utilizado, por aplicativo ou pelos parquímetros nas ruas. É importante destacar que os totens não aceitam cédulas nem fornecem troco, mas podem ser pagos com cartão de crédito, débito ou moedas.

A fiscalização é feita de forma digital, por meio da placa do veículo. Quando a vaga não é ativada, o sistema gera uma cobrança inicial que, se não for regularizada dentro do prazo, pode se transformar em multa de trânsito.

A falta de informação clara e a dificuldade de parte da população em lidar com aplicativos ajudam a explicar a frustração de usuários e comerciantes. Entre a tentativa de organizar o espaço urbano e a necessidade de manter o centro economicamente vivo, o comércio da região enfrenta hoje um desafio que vai além das vitrines: reconquistar o consumidor e tornar o centro novamente atrativo e acessível.

Por Ana Frutuoso

 

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