O cenário agrícola em Mato Grosso atravessa um período crítico devido ao excesso de chuvas nas últimas semanas. A alta frequência de precipitações, aliada à baixa incidência de sol, mantém o solo saturado, o que impede a entrada de máquinas pesadas nas lavouras. Essa limitação reduz drasticamente a janela de trabalho dos produtores, dificultando tanto a colheita da soja quanto o preparo da terra para as culturas seguintes.
No Norte do estado, os volumes acumulados em fevereiro já são expressivos, ultrapassando os 200 mm em diversas localidades. Cidades como Sorriso e Cotriguaçu registraram, respectivamente, 254,2 mm e 318,4 mm, atingindo precocemente a média histórica para todo o mês. O agravante não é apenas o volume total, mas a persistência das chuvas, que ocorrem durante várias horas do dia e impedem a secagem do grão, diferindo do padrão comum de pancadas rápidas de fim de tarde.
Essa umidade constante traz prejuízos diretos à qualidade da soja. O ambiente encharcado favorece o aparecimento de doenças fúngicas e o apodrecimento dos grãos ainda na planta, o que gera perdas financeiras no momento da entrega comercial. Além disso, o atraso na retirada da soja compromete o calendário da segunda safra, como o milho e o algodão, que correm o risco de serem plantados fora da janela ideal de clima.
Para os próximos dias, as previsões meteorológicas indicam a continuidade do tempo instável, com acumulados previstos entre 70 e 150 mm. Embora Sorriso e Cotriguaçu possam ter uma leve diminuição no volume diário a partir de hoje (21), o solo permanecerá com níveis elevados de saturação hídrica. Diante disso, especialistas recomendam o monitoramento rigoroso das atualizações do INMET e da umidade do solo para que os produtores possam aproveitar qualquer abertura no tempo e mitigar os riscos operacionais.
Por Dayelle Ribeiro




