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segunda-feira, janeiro 19, 2026
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Bloqueio de internet no Irã antecede repressão violenta e onda de mortes

Divulgação/POWER MIX

Bloqueio total da internet já dura dez dias, isola famílias no exterior e antecede escalada violenta do regime

A repressão do regime iraniano contra protestos populares já deixou cerca de cinco mil mortos, segundo fontes do próprio governo, e provocou um dos maiores apagões de internet da história recente do país. O bloqueio, que já dura ao menos dez dias, isolou milhões de pessoas e dificultou o contato de iranianos no exterior com familiares.

O corte total da internet foi imposto em meio à escalada da violência contra manifestações iniciadas no fim de dezembro de 2025, motivadas pelo aumento do custo de vida. Com o avanço dos protestos, a repressão se intensificou, incluindo prisões em massa, ameaças de pena de morte e execuções.

De acordo com a organização Human Rights Activists in Iran, ao menos 3.308 mortes já foram confirmadas, enquanto outros 4.200 casos seguem sob investigação. Fontes oficiais falam em até cinco mil vítimas. Especialistas alertam que o bloqueio da comunicação costuma preceder ações mais violentas do regime.

“Quando o Irã corta a internet, normalmente é um alerta de que uma repressão mais dura está a caminho”, afirmou o jornalista Bruno Natal, especialista em tecnologia. O apagão atual é o mais longo registrado no país nos últimos anos.

Mesmo com a repressão, parte da população busca alternativas para se comunicar, como proxies do Telegram, aplicativos descentralizados e terminais de internet via satélite Starlink. Estimativas indicam que entre 50 mil e 100 mil equipamentos do Starlink estejam em uso, muitos contrabandeados. O uso, porém, é arriscado, e quem for flagrado pode ser acusado de espionagem.

Os protestos questionam diretamente a ditadura dos aiatolás, instaurada desde a Revolução de 1979, e têm como principal alvo o líder supremo Ali Khamenei, no poder desde 1989. Mulheres iranianas, silenciadas no país, também passaram a protestar no exterior, pedindo apoio internacional.

A crise interna elevou a tensão global. O governo dos Estados Unidos chegou a ameaçar ações militares, mas recuou diante do risco de impacto no mercado de petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde passa até um quarto do petróleo consumido no mundo, é apontado como ponto crítico; um eventual bloqueio poderia elevar preços e afetar a economia global.

Embora as tensões diplomáticas tenham diminuído ao longo da semana, a angústia permanece para famílias que continuam sem notícias de parentes no Irã, isolados pelo bloqueio e pela repressão.

Fonte: PowerMix

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