Home Polícia Assessores operavam desde tesouraria aos pagamentos, aponta Polícia Civil

Assessores operavam desde tesouraria aos pagamentos, aponta Polícia Civil

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A decisão judicial que determinou o afastamento do vereador por Cuiabá, Chico 2000 (sem partido), do cargo e mirou dois servidores da Câmara Municipal, mostrou a grande engrenagem profissionalizada para o desvio de dinheiro público, por meio das emendas parlamentares.

De acordo com os documentos da Operação Gorjeta, os assessores Joaci Conceição Silva e Rubens Vuolo Júnior não eram apenas funcionários de gabinete, mas os “operadores de confiança” que garantiam que o dinheiro das emendas retornasse ao círculo íntimo do político.

A peça central no fluxo financeiro era Joaci Conceição Silva. Segundo a Polícia Civil, além do cargo de assessor parlamentar no gabinete do vereador Mário Nadaf (PV), Joaci ocupava o cargo de tesoureiro do Instituto Brasil Central (IBRACE) ao mesmo tempo. A entidade recebia as emendas milionárias destinadas por Chico e ‘centralizava’ pagamentos aos envolvidos.

A investigação aponta que Joaci utilizava a função no instituto para drenar recursos. Ele era o responsável por assinar e operacionalizar os pagamentos para as empresas executoras, garantindo que o fluxo do dinheiro seguisse o roteiro planejado pelo grupo.

Em abril de 2025, foram identificadas transferências que somam R$ 7 mil saindo diretamente das contas do IBRACE, para a conta pessoal.

Já o assessor Rubens Vuolo Júnior é apontado como o responsável pela “ponta final” do esquema: a ocultação e lavagem de capitais. Rubens é citado como o interlocutor de pagamentos suspeitos que beneficiavam diretamente a vida privada do vereador.

O detalhe que mais chamou a atenção dos investigadores foi uma transação de R$ 20 mil. O valor saiu de uma empresa que prestava serviços ao IBRACE (financiada por emendas) e foi depositado na conta de um pedreiro que realizava obras numa propriedade particular de Chico 2000.

Rubens teria enviado o comprovante da transação ao vereador com a mensagem curta e direta: “na conta”.

Diante das provas, a Justiça determinou o afastamento imediato de Joaci e Rubens dos seus cargos na Câmara Municipal de Cuiabá. Além de perderem as funções, eles estão proibidos de:

– Frequentar a Câmara de Cuiabá e a Secretaria de Esportes;
– Manter contato com outros investigados e testemunhas;
– Sair da cidade sem autorização judicial

A dupla também teve o sigilo bancário e fiscal quebrado. A suspeita é que o volume de recursos desviados possa ser muito superior aos valores já rastreados pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

Por Fred Moraes

 

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