O presidente do PL de Mato Grosso, o simpático e gente boa Ananias Filho, deu uma entrevista exclusiva ao jornalista Jonas da Silva, do site MidiaNews, onde tentou esconder a maior vergonha do partido. O gesto mais cara de pau do bolsonarismo é negar a sua real posição no espectro ideológico. A verdade que tenta esconder: o bolsonarismo não é direita, é um movimento de extrema direita. Simples assim, é fato.
Confira no VAR da ideologia. É extrema direita porque é comandado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, um amante da tortura, amante da ditadura, preso por tentativa de golpe de estado, defensor do extermínio dos adversários e que fez uma gestão de necropolítica durante a pandemia.
Quem prega a morte dos outros, o extermínio dos adversários e defende a tortura e defende a ditadura é a extrema direita e, na outra ponta do espectro ideológico, a extrema esquerda. No caso, o bolsonarismo está, em óbvio, na extrema direita, falta-lhe respeito à democracia, respeito ao diálogo, respeito à vida, respeito à diversidade, e respeito aos mais caros valores cristãos.
O PL, partido que abriga o alto comando do bolsonarismo, é hoje, portanto, o partido da extrema direita brasileira. Ananias fez a sua parte, nada contra o mensageiro, mas tudo contra a mensagem. A vergonha aparece claramente. O bolsonarismo é a extrema direita na sucessão de Mauro Mendes, tentando cooptar os partidos de direita e de centro para as campanhas do senador Wellington Fagundes ao governo de Mato Grosso e do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República.
Além deste esforço estéril de se apresentar como a “direita”, Ananias fez, na entrevista, uma bravata e um alerta à justiça eleitoral.
A bravata: disse que “não tememos Pivetta”, ou seja, desprezou a condição eleitoral do atual vice-governador, Otaviano Pivetta (Republicanos). Colocou o seu candidato, Wellington Fagundes, em cima do salto alto da arrogância e da soberba.
O alerta à justiça eleitoral: o presidente do PL de Mato Grosso afirmou que a extrema direita não teme a “máquina do governo Mauro Mendes nas mãos de Otaviano”. Ou seja, alerta que a máquina pública poderá ser usada contra os adversários.
“Santo Ustra”
De resto, o presidente Ananias Filho sabe: o PL precisa sim de óleo de peroba, por conta da cara de pau de se dizer de direita sendo movido pela alma e o gesto da extrema direita bolsonarista. Tentar usar o verniz de direita é quase uma blasfêmia ao “santo” de adoração de Jair Bolsonaro e dos seus filhos: o coronel Brilhante Ustra, chefe dos centros de tortura e assassinato de pessoas que se opunham à ditadura militar.

Por Pedro Pinto de Oliveira




