O possível acordo entre o Mercosul e a União Europeia representa uma importante vitória política para Luiz Inácio Lula da Silva, que transformou essa negociação em uma das principais bandeiras de sua agenda internacional durante seu atual mandato. Análise é de Clarissa Oliveira.
Segundo a analista de Política, a concretização desse acordo será um “trunfo político enorme” para o presidente do Brasil.
A estratégia de Lula em priorizar o multilateralismo ganhou ainda mais relevância no contexto atual, especialmente diante das políticas tarifárias implementadas pelo governo dos EUA. “Enquanto a gente tem um governo de Trump pregando uma abordagem muito mais individual na estratégia comercial internacional, o presidente Lula seguiu em defesa do multilateralismo”, explicou Clarissa, acrescentando que essa postura visa reduzir a dependência extrema em relação a determinadas nações no comércio internacional.
Impacto no agronegócio e nas eleições
O acordo também pode ter reflexos positivos na relação do governo com o agronegócio brasileiro. “Por mais que haja ali uma afinidade política desse setor com um campo oposicionista ao presidente Lula, a celebração de um acordo como esse contribui para você melhorar o ambiente, melhorar o clima dentro desse segmento econômico”, analisou a especialista.
Para além dos benefícios econômicos e comerciais, o acordo representa uma “cerejaça no bolo” para Lula no início do ano eleitoral, conforme definiu Clarissa Oliveira. A analista lembrou que o presidente busca encerrar sua passagem pela presidência com a marca de ter alcançado conquistas significativas no comércio internacional, recuperando o prestígio que teve em seus mandatos anteriores, quando chegou a ser chamado de “O Cara” pelo então presidente americano Barack Obama.
Desde o início de seu atual mandato, Lula priorizou viagens internacionais e a retomada de relações diplomáticas com diversos países, estratégia que foi criticada por parte da oposição. No entanto, essas ações parecem agora render frutos concretos com o avanço nas negociações entre os blocos econômicos, que vinham se arrastando há décadas.




