21.3 C
Mato Grosso
quarta-feira, janeiro 28, 2026
spot_img
HomePolíticaAfastamento de vereadores por esquema de propina marcou mais um ano de...

Afastamento de vereadores por esquema de propina marcou mais um ano de crises na Câmara de Cuiabá

Na política, um dos episódios que mais chamaram a atenção em Cuiabá neste ano foi o afastamento de vereadores da Câmara Municipal no âmbito da Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Civil para investigar um esquema de corrupção envolvendo o pagamento de propina para aprovação de projetos legislativos.

A operação teve como principais alvos os vereadores Chico 2000 (PL) e Sargento Joelson (PSB), afastados do exercício das funções públicas por determinação judicial. As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apontam que eles solicitaram propina a um então funcionário da HB20 Construções, responsável pela execução das obras no Contorno Leste.

O pagamento seria uma condição para articular na Câmara a aprovação de um projeto de lei que possibilitou o recebimento de R$ 4.849.652,46, pagos pela Prefeitura de Cuiabá à empresa.

Na época, Chico 2000 atuava como presidente da Mesa Diretora da Casa e tinha poder de influência sobre os demais vereadores, além de determinar o que era ou não votado em plenário. De acordo com as investigações, a propina teria sido paga ao Sargento Joelson, que recebeu R$ 250 mil. Sendo R$150 mil via Pix e R$100 mil em espécie.

Durante as fases da Operação Perfídia, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nos gabinetes dos vereadores, além de vasculhar computadores da recepção da Câmara Municipal e imagens do circuito interno de segurança.

Como medidas cautelares, a Justiça chegou a proibir os parlamentares de frequentarem as dependências do Legislativo. À época, a denúncia que deu origem às investigações foi apresentada pelo atual prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), quando ainda exercia mandato de deputado federal.

Retorno à Câmara

Apesar do afastamento inicial, decisões judiciais posteriores autorizaram o retorno dos vereadores aos cargos. Chico 2000 foi reconduzido após cerca de quatro meses fora da Câmara, e Sargento Joelson também obteve habeas corpus favorável. Com isso, os suplentes que ocupavam temporariamente as cadeiras deixaram o Legislativo municipal.

O caso reforçou a imagem negativa que há anos acompanha a Câmara de Cuiabá, frequentemente apelidada nos bastidores e pela opinião pública de “Casa dos Horrores”, em razão de sucessivos escândalos, investigações e denúncias envolvendo parlamentares. Mesmo com as investigações ainda em andamento e sob sigilo, a Operação Perfídia consolidou mais um capítulo de desgaste institucional e desconfiança da população em relação ao Legislativo da capital mato-grossense.

Por GUSTAVO CASTRO

Noticias Relacionadas
- Advertisment -
Google search engine

Mais lidas