A morte de Conceição Moreira da Silva, de 31 anos, assassinada com aproximadamente 16 facadas pelo ex-companheiro na noite de sábado (10), em Chapada dos Guimarães (65 km ao Norte de Cuiabá), revelou um dado que amplia a gravidade do caso: a vítima já havia denunciado ameaças e possuía medida protetiva contra o suspeito.
O crime ocorreu por volta das 21 horas, na Rua do Ipê, nas proximidades da Mercearia Azevedo. O ex-companheiro, identificado como Joilson Bonifácio Correia de Sousa Silva, de 44 anos, foi contido por moradores depois do ataque e preso pela Polícia Militar.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, Conceição havia procurado as autoridades em setembro, após sofrer ameaças do ex-companheiro. A medida protetiva tinha como objetivo resguardar sua integridade diante do histórico de violência relatado.
Ainda não foram esclarecidos a data exata da concessão da medida, quais restrições haviam sido impostas ao suspeito e se existiam registros anteriores de descumprimento.
Essas informações serão fundamentais para reconstituir as circunstâncias que antecederam o feminicídio e verificar quais mecanismos de proteção estavam em vigor.
ATAQUE NA RUA – Conforme o boletim de ocorrência, Conceição foi surpreendida pelo ex-companheiro quando estava na rua, após sair do trabalho em um supermercado da cidade.
Informações preliminares apontam que ela seguia de bicicleta para jantar quando foi abordada pelo suspeito, que a derrubou e passou a golpeá-la com uma faca.
Testemunhas presenciaram a agressão e acionaram a Polícia Militar. Depois do ataque, o homem fugiu, mas foi alcançado e contido por populares nas proximidades de uma lanchonete.
Quando os policiais chegaram, encontraram o suspeito com escoriações pelo corpo e um ferimento na cabeça, atribuídos às agressões sofridas durante a contenção.
A faca que teria sido utilizada no crime foi localizada e apreendida.
Conceição recebeu atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Chapada dos Guimarães.
Segundo informações repassadas pela equipe médica à polícia, a vítima apresentava aproximadamente 16 perfurações provocadas por objeto cortante. Ela não resistiu aos ferimentos.
O suspeito foi encaminhado à delegacia, juntamente com a arma apreendida. O caso foi registrado como feminicídio consumado.
HISTÓRICO DE AMEAÇAS – As informações iniciais indicam que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e vinha perseguindo a ex-companheira.
A denúncia feita por Conceição em setembro demonstra que a situação de ameaça já havia chegado ao conhecimento das autoridades antes do assassinato.
A existência da medida protetiva, entretanto, não permite concluir, isoladamente, que tenha ocorrido falha dos órgãos responsáveis pela proteção da vítima.
Para essa avaliação, será necessário esclarecer quando a decisão judicial foi expedida, se o suspeito havia sido formalmente comunicado das restrições e se houve novos episódios de ameaça ou aproximação indevida.
Também será importante verificar se Conceição havia solicitado acompanhamento adicional ou comunicado novas situações de risco.
INVESTIGAÇÃO – A Polícia Civil deverá analisar depoimentos de testemunhas e imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do local do crime.
O estabelecimento comercial diante do qual ocorreu o ataque possui sistema de monitoramento, cujas imagens poderão auxiliar na reconstituição dos acontecimentos.
Os investigadores também deverão apurar o histórico do relacionamento e as circunstâncias em que o suspeito se aproximou da vítima.
A morte provocou manifestações de pesar em Chapada dos Guimarães. O supermercado Bom Preço, onde Conceição trabalhava, divulgou uma homenagem à funcionária, destacando sua dedicação e o carinho dos colegas.
O feminicídio volta a colocar em discussão a efetividade dos mecanismos de proteção às mulheres ameaçadas.
No caso de Conceição, a investigação terá de esclarecer não apenas a dinâmica do assassinato, mas também o que aconteceu entre a denúncia apresentada em setembro e o ataque que terminou com sua morte.
Por MARIA CLARA SILVA




